Senado dos EUA se une à Câmara dos Deputados em votação para barrar guerra contra Irã

A resolução sobre poderes de guerra recebeu apoio bipartidário devido à insatisfação do Congresso com o conflito e à baixa aprovação popular da intervenção militar

Reuters

O líder da minoria no Senado dos EUA, Chuck Schumer (Democrata de Nova York), fala durante uma coletiva de imprensa realizada pelos líderes democratas do Senado após o almoço semanal sobre políticas no Capitólio, em Washington, D.C., EUA, em 23 de junho de 2026. REUTERS/Annabelle Gordon
O líder da minoria no Senado dos EUA, Chuck Schumer (Democrata de Nova York), fala durante uma coletiva de imprensa realizada pelos líderes democratas do Senado após o almoço semanal sobre políticas no Capitólio, em Washington, D.C., EUA, em 23 de junho de 2026. REUTERS/Annabelle Gordon

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WASHINGTON, 24 Jun (Reuters) – O ⁠Senado dos EUA aprovou na terça-feira um projeto de ⁠lei que determina que o presidente Donald Trump suspenda as ‌ações militares norte-americanas contra o Irã, a mais recente repreensão ao presidente republicano por parte de um Congresso cada vez mais insatisfeito.

O Senado ‌votou por 50 a 48 a favor da resolução sobre poderes de guerra, que havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados neste mês, refletindo a crescente preocupação, mesmo entre alguns correligionários republicanos de Trump, com o conflito impopular que teve início em 28 de fevereiro, quando Estados ⁠Unidos ‌e Israel lançaram um ataque contra o Irã.

Foi a primeira vez ⁠que ambas as casas do Congresso aprovaram uma resolução instruindo um presidente a retirar as Forças Armadas dos Estados Unidos das hostilidades desde que a Resolução sobre Poderes de Guerra, mais comumente conhecida como Lei dos Poderes de Guerra, foi promulgada em 1973.

Embora ​provavelmente continue sendo em grande parte simbólica, a votação representou um revés para Trump, que até recentemente contava com apoio quase unânime ​dos membros republicanos do Congresso.

Isso ocorre também no momento em que se espera que o governo solicite ao Congresso a autorização de dezenas de bilhões de dólares para financiar a guerra.

Os republicanos detêm maiorias estreitas tanto no Senado quanto na Câmara, mas alguns se ‌distanciaram do presidente em algumas questões antes das ​eleições de meio de mandato em novembro, que determinarão se o partido manterá o controle do Congresso.

Recentemente, alguns republicanos se opuseram ao fundo de US$1,8 bilhão de Trump ⁠para ‘combate à instrumentalização política’, ​destinado a indenizar aliados ​políticos que, segundo ele, foram alvo das autoridades federais, e paralisaram um projeto de lei ⁠de US$70 bilhões para financiar sua ​ofensiva contra a imigração.

Resultados de pesquisa Reuters/Ipsos divulgados na terça-feira mostraram que apenas um em cada quatro norte-americanos acredita que a guerra contra o Irã ​valeu a pena, e a maioria teme que uma trégua com Teerã provavelmente não dure.

A votação no Senado seguiu, em ​grande parte, as linhas ⁠partidárias, com quatro republicanos se juntando a todos os democratas, exceto um, a favor da ⁠medida. Dois senadores republicanos não votaram.

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Em uma postagem na noite de terça-feira, Trump criticou a votação, chamando-a de ‘inoportuna e sem sentido’, e acusou aqueles que votaram a favor de dar ‘conforto’ ao Irã e tornar seu trabalho ‘mais difícil’.

(Reportagem de Patricia Zengerle; reportagem adicional de Richard Cowan, Trevor Hunnicutt e Kanishka ​Singh)