Rússia perde aliado na Venezuela, mas espera se beneficiar com política de Trump

Ministério das Relações Exteriores da Rússia classificou ações de Trump como pirataria moderna no Caribe

Reuters

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MOSCOU, 5 Jan (Reuters) – A captura do líder da ‍Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos privou o presidente da Rússia, Vladimir ⁠Putin, de um aliado e pode aumentar a ‘influência do petróleo’ dos EUA, mas Moscou está ‍de olho em possíveis benefícios com a divisão do mundo em esferas de influência pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

As forças especiais dos EUA prenderam Maduro apenas oito meses depois que o presidente russo firmou ‌uma parceria estratégica com seu ‘querido amigo’, e Trump disse que os EUA estão assumindo o controle temporário da Venezuela, que tem as maiores reservas de petróleo do mundo.

Alguns nacionalistas russos criticaram a perda de um aliado e contrastaram a rápida operação dos EUA com o fracasso da Rússia em assumir o controle da Ucrânia em quase quatro anos de guerra.

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Mas, em outro nível, o que a Rússia considera como ‘pirataria’ e ‘mudança de regime’ ‌de Trump no ‘quintal’ dos Estados Unidos é mais tolerável para Moscou, especialmente se Washington ficar atolado na Venezuela.

‘A ‌Rússia perdeu um aliado na América Latina’, disse uma fonte russa graduada, falando sob condição de anonimato devido à sensibilidade da situação.

‘Mas se esse for um exemplo da Doutrina Monroe de Trump em ação, como parece ser, então a Rússia também tem sua própria esfera de influência.’

A fonte estava se referindo ao desejo do governo Trump de reafirmar o domínio dos EUA no Hemisfério Ocidental ‌e reviver a Doutrina Monroe do Século 19, que declarou a área como zona de influência de Washington.

Uma segunda fonte russa disse que Moscou viu a operação dos EUA como uma tentativa clara ​de obter o controle da riqueza petrolífera da Venezuela e observou que a maioria das potências ocidentais não a criticou abertamente.

Perigos do ‘faroeste’ de Trump

Putin tem tentado estabelecer uma esfera de influência russa nas ex-Repúblicas soviéticas da Ásia Central, no Cáucaso e na Ucrânia, em uma investida contra a qual Washington se opõe desde o fim da Guerra Fria.

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Putin não comentou publicamente sobre a operação dos Estados Unidos na Venezuela, embora o Ministério das Relações Exteriores da Rússia tenha pedido a Trump que liberte Maduro e tenha apelado para o diálogo. O ministério anteriormente classificou as ações de Trump como pirataria moderna no Caribe.

A mídia estatal russa descreveu a operação como um ‘sequestro’ dos EUA, relatou comentários de Trump sobre os EUA terem vizinhos ‘doentes’ ​e fez referência à captura do líder ⁠militar Manuel Noriega pelos EUA ⁠no Panamá em 3 de janeiro de 1990.

‘O fato de Trump ter simplesmente ‘roubado’ o presidente de outro país mostra que basicamente não ‌existe lei internacional — existe apenas a lei da força —, mas a Rússia sabe disso há muito tempo’, disse Sergei Markov, ex-conselheiro do Kremlin, à Reuters.

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Ele disse que a Doutrina Monroe moderna — que Trump sugeriu que poderia ser atualizada como a ‘Doutrina Donroe’ — poderia ser interpretada de diferentes maneiras.

‘Os Estados ‍Unidos estão realmente prontos para reconhecer o domínio da Rússia sobre a antiga União Soviética, ou simplesmente os Estados Unidos são tão fortes que não tolerarão nenhuma grande potência nem ​mesmo perto deles?’

Alexei Pushkov, que ‌preside a comissão de política de informação no Conselho da Federação, ou Senado, da Rússia, viu a operação dos EUA na Venezuela como ‍uma implementação direta da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, descrevendo-a como uma tentativa de reviver a supremacia dos EUA e ganhar controle sobre mais reservas de petróleo.

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No entanto, ele disse que isso arrisca um retorno ao ‘imperialismo selvagem do Século 19 e, de fato, reviver o conceito do faroeste — no sentido de que os Estados Unidos recuperaram o direito de fazer o que quiserem no Hemisfério Ocidental’.

‘Será que o triunfo se transformará em um desastre?’, perguntou ele.

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