Publicidade
Banida de participar do Eurovision, a Rússia lançará a final de seu próprio concurso internacional de música, a pedido do presidente Vladimir Putin, no sábado, com um nome da era soviética e apresentações que promovem “valores familiares tradicionais”.
Cantores do “Intervision” virão de 23 países que representam mais da metade da população mundial, incluindo China, Índia e Brasil, e competirão por um prêmio em dinheiro de 30 milhões de rublos (US$ 360 mil).
A Rússia foi excluída do Eurovision desde que Putin ordenou a entrada de dezenas de milhares de soldados na Ucrânia em 2022. Este ano, Putin anunciou seu concurso rival, com um importante assessor do Kremlin nomeado para chefiar o conselho de supervisão. Kiev chamou o evento de “um instrumento de propaganda hostil”.
Continua depois da publicidade
O programa será transmitido ao vivo pela televisão russa. Os organizadores afirmam que ele também estará disponível pela internet ou TV em outros países, com uma população combinada de mais de 4 bilhões de pessoas, embora não tenham divulgado a lista de emissoras estrangeiras que planejam transmitir o evento.
Músicas podem ser apresentadas em qualquer idioma. O resultado será decidido por um júri profissional com representantes de cada país, e não pelo público.
O Intervision retoma o nome de um concurso de música que Moscou costumava realizar na era soviética com seus Estados satélites do Leste Europeu. A nova versão contará com artistas de países que a Rússia agora considera amigáveis, incluindo Belarus, Cuba, Catar, Arábia Saudita, África do Sul, Emirados Árabes Unidos e Venezuela.
A Sérvia é o único país a participar tanto do Eurovision quanto do Intervision. Os Estados Unidos também serão representados por uma artista nascida na Austrália chamada “Vassy”, depois que o cantor de R&B nascido nos EUA, Brandon Howard, desistiu no último minuto alegando motivos familiares.
Em contraste com o famoso kitsch do Eurovision, os organizadores russos do Intervision dizem defender “valores tradicionais, universais e familiares”.
O ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, disse em coletiva de imprensa antes do concurso que Moscou não proibiu os russos de assistirem ao Eurovision, mas acredita que há espaço para “abordagens alternativas para preservar tradições e culturas nacionais, bem como construções religiosas, espirituais e morais herdadas de nossos ancestrais”.
Continua depois da publicidade
Na Rússia, regras rigorosas proíbem quaisquer ações consideradas promoção da homossexualidade, e o “movimento público LGBT internacional” é considerado uma organização extremista.
A Rússia participou do Eurovision 23 vezes desde 1994 e venceu em 2008 com a música “Believe”, de Dima Bilan.