Rússia ameaça atacar alvos de defesa em Kiev e pede que estrangeiros deixem cidade

Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia pediu aos aliados de Kiev que não cedessem à "chantagem russa"

Reuters

Fogo e fumaça após ataque de mísseis e drones russos em Kiev, Ucrânia
24 de maio de 2026
 REUTERS/Gleb Garanich
Fogo e fumaça após ataque de mísseis e drones russos em Kiev, Ucrânia 24 de maio de 2026 REUTERS/Gleb Garanich

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A Rússia afirmou nesta segunda-feira (25) que pretendia lançar “ataques sistemáticos” contra alvos em Kiev ligados às Forças Armadas ucranianas, bem como centros de tomada de decisão, e pediu aos estrangeiros para deixar a cidade, um dia após um de seus mais intensos bombardeios à cidade desde o início da guerra.

Mas o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, pediu aos aliados de Kiev que não cedessem à “chantagem russa”. O chefe da missão da UE na cidade disse que o bloco de 27 países “não vai a lugar algum”.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, de acordo com um comunicado no site do ministério, que os ataques iminentes eram “em resposta aos contínuos ataques terroristas do regime de Kiev” contra civis na Rússia.

O comunicado dizia ainda que as Forças Armadas da Rússia “estão iniciando ataques sistemáticos contra instalações localizadas em Kiev que são usadas para as necessidades das Forças Armadas da Ucrânia, assim como em centros onde as decisões correspondentes estão sendo tomadas”.

Um comunicado anterior do Ministério das Relações Exteriores da Rússia pediu aos estrangeiros em Kiev, incluindo diplomatas, para deixar a cidade o mais rápido possível.

A Rússia citou o que descreve como um ataque deliberado de drones na última sexta-feira em um dormitório estudantil na região de Luhansk, controlada pela Rússia, no leste da Ucrânia.

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O Exército ucraniano negou as acusações da Rússia e disse que havia atacado uma unidade de comando de drones de elite na área.

Em Kiev, as equipes de resgate lidaram com as consequências dos ataques de domingo, que, segundo as autoridades, mataram duas pessoas e feriram 91.

Moscou disparou um míssil hipersônico Oreshnik perto de Kiev — o terceiro uso da arma com capacidade nuclear em mais de quatro anos de guerra.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Sybiha, escreveu na plataforma de mídia social X: “Estamos atualmente discutindo com nossos parceiros que não há necessidade de ceder a essa chantagem russa”.

A chefe da missão da UE em Kiev, Katarina Mathernova, disse que o alerta russo buscava semear o pânico.

“A Rússia quer medo. Pânico. Isolamento da Ucrânia. Isso não vai funcionar”, disse ela nas mídias sociais. “A UE não vai a lugar algum. Nós vamos ficar em Kiev. Vamos ficar com a Ucrânia.”

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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que cerca de 300 locais em Kiev foram danificados nos ataques do fim de semana, incluindo um museu recém-inaugurado dedicado ao desastre nuclear de Chernobyl ocorrido em 1986.

“Até o momento, não há uma única sala no Museu Nacional de Chernobyl que não tenha sido destruída”, disse a diretora do museu, Vitalina Martynovska.

Mais de 70 diplomatas estrangeiros prestaram homenagem às vítimas dos ataques em Kiev, visitando o bairro severamente atingido de Lukyanivka nesta segunda-feira.

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Ataques na Rússia e na Ucrânia

Enquanto isso, a Ucrânia continuou seus ataques contra a infraestrutura e os ativos industriais da Rússia.

Na região de Belgorod, na Rússia, um homem foi morto e outro ficou ferido em um ataque com mísseis e drones que também cortou o fornecimento de energia e água, informaram as autoridades locais no Telegram.

Quatro pessoas foram mortas na cidade de Horlivka, controlada pela Rússia, no leste da Ucrânia, seu prefeito, Ivan Prikhodko, disse no Telegram, culpando um ataque da Ucrânia.

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No território controlado pela Ucrânia, duas pessoas foram mortas e 16 ficaram feridas em ataques da Rússia nas últimas 24 horas na região de Kherson, no sul, disse o governador regional Oleksandr Prokudin no Telegram.

Em um ataque com mísseis ocorrido nesta segunda-feira na cidade de Derhachi, perto de Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, duas pessoas foram mortas e mais de 20 ficaram feridas, disseram as autoridades.

Outras 14 pessoas ficaram feridas na região sudeste de Dnipropetrovsk, informaram as autoridades. Os serviços de emergência informaram que drones atacaram um prédio de apartamentos de nove andares na cidade de Pavlohrad.

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O governador da região de Donetsk, no leste, Vadym Filashkin, disse que 12 pessoas ficaram feridas em Kramatorsk, uma cidade na linha de frente.

A Reuters não conseguiu verificar os relatos de forma independente. A Rússia e a Ucrânia negam atacar civis deliberadamente desde que a Rússia invadiu o país vizinho em fevereiro de 2022.

A mediação dos Estados Unidos não conseguiu intermediar o fim da guerra. Cada lado acusa o outro de tentar escalar o conflito, e a Ucrânia planeja enviar reforços para suas regiões do norte para combater o que acredita serem planos da Rússia para uma nova ofensiva.