Rubio diz que “quarentena” do petróleo dá aos EUA poder de pressão sobre Venezuela

Secretário de Estado destacou uso de sanções e apreensão de navios para forçar mudanças no governo venezuelano

Bloomberg

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O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos usarão uma “quarentena” do petróleo para pressionar os novos líderes da Venezuela após a saída do presidente Nicolás Maduro.

Com dúvidas sobre como os EUA lidarão com membros da liderança de Maduro que permanecem no poder, Rubio destacou que a Venezuela deve romper laços com Irã, Hezbollah e Cuba, acabar com o tráfico de drogas e garantir que sua indústria petrolífera não beneficie adversários dos EUA.

“Existe uma quarentena agora em que embarcações com petróleo sancionado — há um navio, e esse navio está sob sanções dos EUA, conseguimos uma ordem judicial — nós o apreenderemos”, disse Rubio no programa “Face the Nation”, da CBS. Isso representa “uma enorme influência” para os EUA pressionarem por mudanças na Venezuela, acrescentou.

O presidente Donald Trump sugeriu que empresas petrolíferas americanas investiriam bilhões de dólares para reconstruir a indústria do petróleo venezuelana, ao descrever a captura de Maduro e sua esposa e sua transferência para os EUA para enfrentar acusações em Nova York.

Rubio afirmou que a escassez global de petróleo pesado pode impulsionar essa transição.

“Não falei com empresas americanas de petróleo nos últimos dias, mas estamos bastante certos de que haverá um interesse dramático de companhias ocidentais”, disse Rubio no programa “This Week”, da ABC. “Empresas que não sejam russas ou chinesas estarão muito interessadas. Nossas refinarias na Costa do Golfo dos EUA são as melhores para refinar esse petróleo pesado.”

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“Vai haver um interesse enorme — se isso puder ser feito da maneira certa”, completou.

Rubio deu poucas pistas sobre os próximos passos imediatos na Venezuela, após Trump afirmar que os EUA trabalharão com a presidente interina Delcy Rodríguez para uma transição a um governo democraticamente eleito. Até agora, ela e outros líderes venezuelanos parecem pouco cooperativos.

Questionado na CBS sobre quando a Venezuela poderia realizar eleições como parte da transição democrática, Rubio evitou responder diretamente.

“Essas coisas levam tempo — há um processo”, disse, sem detalhar. “Vamos avaliar o que eles fazem, não o que dizem publicamente no momento… mas o que fazem daqui para frente.”

Rubio destacou a indústria petrolífera venezuelana como chave para uma economia forte.

“No momento, é uma indústria atrasada”, afirmou ao “Face the Nation”. “Nenhum dinheiro do petróleo chega ao povo. Tudo é roubado pelas pessoas que estão no topo, e é por isso que temos essa quarentena.”

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O bloqueio permanecerá “até vermos mudanças que não apenas atendam ao interesse nacional dos EUA, que é o principal, mas que também levem a um futuro melhor para o povo venezuelano.”

As forças americanas na região são “capazes de parar não apenas barcos de drogas, mas qualquer um desses navios sancionados que entram e saem, realmente paralisando essa parte de como o regime gera receita”, disse Rubio.