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Ratko Mladic, condenado por genocídio por orquestrar o massacre de 1995 de pelo menos 8.000 muçulmanos em uma “zona de segurança” da ONU na Bósnia, a pior atrocidade na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, morreu, informou uma autoridade da ONU nesta quinta-feira.
A matança em Srebrenica foi o desfecho macabro de uma guerra que durou mais de três anos, durante a qual o general bombardeava diariamente a capital sitiada, Sarajevo, com artilharia, tanques, morteiros e metralhadoras pesadas de seu Exército nacionalista sérvio, matando 10.000 pessoas.
Os corpos das vítimas de Srebrenica foram empurrados por tratores para valas comuns ao longo de quatro dias em julho de 1995; alguns foram posteriormente desenterrados e transferidos para áreas montanhosas remotas para ocultar as evidências dos assassinatos.
O objetivo, conforme determinado pelo Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia (TPII) da ONU, era a “limpeza étnica” — a expulsão forçada de muçulmanos bósnios, croatas e outros não sérvios para liberar terras bósnias para uma “Grande Sérvia”.
O tribunal concluiu que Mladic, juntamente com o falecido presidente sérvio Slobodan Milosevic e o líder político sérvio-bósnio Radovan Karadzic, integravam uma conspiração criminosa para executar esse plano.
“Não reconheço este tribunal”, declarou Mladic — apelidado de “Açougueiro da Bósnia” por seus opositores — durante uma audiência do TPII sobre seu caso em 2014. Ao ser condenado à prisão perpétua em 2017, ele gritou: “Tudo isso é mentira, vocês são todos mentirosos!”
Segundo seu filho, os documentos indicavam 12 de março de 1942 como data de nascimento de Mladic, mas ele nasceu, na verdade, em 8 de março de 1943.
O ex-general octogenário vinha enfrentando problemas de saúde nos últimos anos e foi hospitalizado repetidamente. Ele estava no centro de detenção da ONU desde sua prisão, em 2011.
“Alemães tiveram Hitler, os sérvios têm Mladic”
Karadzic, também condenado por genocídio em 2016, e Mladic lideraram a lista de procurados do TPII durante anos após o fim da guerra, promovido pelas potências ocidentais. No entanto, até que Milosevic fosse deposto por uma revolta popular em 2000, Mladic viveu em segurança — ainda que discretamente — em Belgrado. Milosevic morreu sob custódia em 11 de março de 2006, poucos meses antes do veredito de seu julgamento — que durou quatro anos — por genocídio e outros crimes de guerra na Croácia, Bósnia e Kosovo.
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O Exército que Mladic criou para lutar na Bósnia era um modelo de crueldade, audácia e brutalidade, seguindo a tradição guerreira sérvia, outrora valorizada na luta de vida ou morte dos guerrilheiros contra a ocupação nazista da Iugoslávia na Segunda Guerra Mundial.
Entre os exemplos mais hediondos, houve prisioneiros que morreram sufocados pelo calor após serem forçados a ingerir sal e terem a água negada; outros foram submetidos à fome e ao estupro em campos de detenção; alguns foram obrigados a pular de uma ponte e alvejados; e centenas foram metralhados à noite, após serem expulsos dos locais de detenção com o uso de gases químicos.
“Para mim, Mladic é o símbolo de todos os crimes horríveis ocorridos durante a guerra: nossas meninas foram estupradas e nossos meninos, mortos, apenas por serem muçulmanos”, disse Munira Subasic, cujo filho e marido foram assassinados pelas forças sérvias da Bósnia após a tomada de Srebrenica.
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“Os alemães tiveram Hitler; os sérvios têm Mladic”, continuou Subasic. “Não há diferença entre os dois.”
Filho de um combatente partisan
Filho de um combatente partisan da Segunda Guerra Mundial morto em 1945, Mladic era oficial do antigo Exército Popular Iugoslavo (JNA) quando a desintegração da Iugoslávia começou, em 1991.
Quando os sérvios da Bósnia se rebelaram, em 1992, contra a secessão da Bósnia liderada pelos muçulmanos, Mladic foi escolhido para comandar o novo Exército sérvio-bósnio, que rapidamente tomou 70% do território daquele país sem saída para o mar.
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Dezenas de cidades foram sitiadas com armamento pesado que antes pertencia ao JNA, e vilarejos foram incendiados, enquanto 22 mil soldados da Força de Proteção da ONU observavam a situação praticamente de mãos atadas, cumprindo ordens de não tomar partido.
Uma combinação de pressão ocidental e o fornecimento secreto de armas e treinamento dos EUA para croatas e muçulmanos foi, aos poucos, virando o jogo contra o Exército de Mladic. Ataques decisivos da Otan fizeram o restante.
