“Quixotesco”: secretário dos EUA ironiza avanço militar europeu na Groenlândia

Scott Bessent atacou proposta francesa de exercício militar e minimizou risco de retaliação com venda de Treasuries em meio a ameaças tarifárias de Trump

Bloomberg

Soldados dinamarqueses e alemães em Nuuk, em 16 de janeiro (Bloomberg)
Soldados dinamarqueses e alemães em Nuuk, em 16 de janeiro (Bloomberg)

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O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, alertou países europeus contra o aumento de sua presença militar na Groenlândia e criticou a França por defender a realização de um exercício da Otan, em um momento em que líderes europeus se preparam para a chegada do presidente Donald Trump a Davos.

Bessent questionou a mensagem que os aliados europeus estariam enviando após a decisão recente da Dinamarca e de outros sete países da Otan de enviar um pequeno contingente de oficiais para a ilha, que Trump já afirmou querer incorporar aos Estados Unidos.

“Esses países ativarem suas tropas, não tenho certeza de que tipo de sinal isso pretende passar. Me parece algo bastante quixotesco”, disse Bessent a repórteres nesta quarta-feira.

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O secretário do Tesouro também fez duras críticas ao presidente francês, Emmanuel Macron, depois de a França dizer que pediria à Otan a realização de um exercício militar na Groenlândia, em uma tentativa de reforçar a segurança na região. O anúncio veio na esteira da decisão de aliados europeus de realizar um exercício simbólico de planejamento militar no território semiautônomo dinamarquês, movimentos que podem intensificar ainda mais as já tensas relações transatlânticas.

“Se é só isso que o presidente Macron tem a fazer quando o orçamento europeu, o orçamento francês, está em frangalhos, eu sugeriria que ele focasse em outras coisas para o povo francês”, afirmou Bessent.

As declarações preparam o terreno para um possível confronto mais duro entre Trump e seus aliados europeus, irritados com as exigências do presidente americano para que a Dinamarca abra mão do controle da Groenlândia e permita que os EUA assumam o território por razões de segurança nacional. Embora Trump já tenha manifestado há tempos o desejo de controlar a ilha, sua retórica nas últimas semanas se intensificou. O presidente também ameaçou impor tarifas a oito aliados da Otan caso continuem a se opor às suas ambições.

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Líderes europeus vêm, por sua vez, avaliando possíveis medidas de retaliação. Antes da chegada de Trump, prevista para mais tarde nesta quarta-feira, Bessent vem pressionando os parceiros dos EUA a honrarem seus acordos comerciais e tem rechaçado com veemência a possibilidade de uma resposta mais dura europeia por causa da Groenlândia.

Na terça-feira, Bessent ridicularizou a ideia de que a Europa poderia considerar vender Treasuries americanos — uma possível contramedida que teria impactos sísmicos nos mercados —, classificando essa hipótese como uma “narrativa falsa”.

Questionado novamente nesta quarta-feira sobre uma eventual saída de Dinamarca e outros países dos Treasuries, Bessent voltou a minimizar o risco, dizendo que o volume investido pela Dinamarca em títulos do Tesouro dos EUA é “irrelevante”.

“Eu não estou nem um pouco preocupado”, afirmou.

Na terça-feira, antes de deixar Washington rumo a Davos, Trump também se mostrou confiante de que a União Europeia seguirá investindo nos Estados Unidos, apesar das novas ameaças tarifárias.

“Eles precisam muito desse acordo conosco. Precisam mesmo, lutaram muito para consegui-lo. Então eu duvido disso”, disse Trump, ao ser perguntado em entrevista coletiva se via risco de a UE descumprir suas promessas de investimento com os EUA.

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