“Quem ela está protegendo?”: cúmplice de Epstein se cala no Congresso dos EUA

Condenada por recrutar meninas para abuso sexual, Ghislaine Maxwell não dá nomes à Câmara, e investigação agora mira membros da realeza britânica e os Clinton

Bloomberg

FILE PHOTO: Ghislaine Maxwell e Jeffrey Epstein são vistos nesta imagem divulgada pelo Departamento de Justiça, em Washington, D.C., nos Estados Unidos, em 19 de dezembro de 2025, como parte de um novo conjunto de documentos de suas investigações sobre o falecido financista e condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein. Departamento de Justiça dos EUA/Divulgação via REUTERS
FILE PHOTO: Ghislaine Maxwell e Jeffrey Epstein são vistos nesta imagem divulgada pelo Departamento de Justiça, em Washington, D.C., nos Estados Unidos, em 19 de dezembro de 2025, como parte de um novo conjunto de documentos de suas investigações sobre o falecido financista e condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein. Departamento de Justiça dos EUA/Divulgação via REUTERS

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Ghislaine Maxwell, cúmplice condenada do financista Jeffrey Epstein, se recusou nesta segunda-feira (9) a responder a qualquer pergunta de um comitê da Câmara dos Deputados dos EUA que investiga a rede de tráfico sexual comandada por Epstein.

Maxwell participou por videoconferência de um depoimento previamente agendado, mas invocou o direito constitucional de ficar em silêncio, garantido pela Quinta Emenda, para não produzir provas contra si mesma, afirmou James Comer, presidente republicano do comitê.

O Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara investiga Epstein e o papel que a ampla rede de relações do financista pode ter tido na facilitação do esquema ou no atraso da responsabilização criminal.

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Maxwell foi condenada em 2021 por recrutar meninas para abuso sexual e por participar de algumas das agressões. Ela cumpre atualmente pena de 20 anos de prisão.

“Ela não respondeu a nenhuma pergunta e não forneceu qualquer informação sobre os homens que estupraram e traficaram mulheres e meninas”, disse o deputado Robert Garcia, principal democrata do painel. “Quem ela está protegendo?”

O bilionário do varejo Les Wexner deve prestar depoimento em 18 de fevereiro, segundo Comer.

Epstein foi, durante muitos anos, gestor de recursos de Wexner. Um procurador-assistente dos EUA em Miami entrou em contato diretamente com Wexner em 2007, no contexto de uma investigação de lavagem de dinheiro envolvendo Epstein, segundo a Bloomberg. O bilionário rompeu relações com Epstein pouco depois e mais tarde o acusou de enganá-lo e desviar “vastas somas de dinheiro de mim e da minha família”.

Ro Khanna, deputado democrata que integra o comitê, afirmou que Andrew Mountbatten, irmão do rei Charles, também deveria ser chamado a depor para esclarecer suas atividades com Epstein.

Após uma queda de braço com o comitê sobre os termos de seus depoimentos, o ex-presidente Bill Clinton e sua esposa, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, comparecerão ao Congresso em 26 e 27 de fevereiro, confirmou o painel.

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O depoimento de um ex-presidente a um comitê do Congresso é algo quase inédito.

Epstein morreu na prisão em agosto de 2019.

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