Quem é Péter Magyar, o opositor que pôs fim à era de Viktor Orbán na Hungria?

Ex-aliado que rompeu com o Fidesz, líder do Tisza conquista supermaioria no Parlamento com apoio jovem, promete reaproximar o país da União Europeia

Caio César

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O advogado conservador Péter Magyar venceu as eleições legislativas na Hungria, no domingo (12), e tornou-se o novo primeiro-ministro do país em uma vitória histórica, que encerra o governo de seu ex-aliado Viktor Orbán, no poder há 16 anos.

Principal nome da oposição húngara, o político de 44 anos integrou o partido governista por anos, mas ganhou projeção nacional ao romper com o grupo de Orbán após criticar supostos casos de corrupção. Magyar também fez da reaproximação da Hungria com a União Europeia uma de suas principais bandeiras, depois de anos de isolamento do país no bloco.

Orbán, que governou a Hungria por quase duas décadas, afastou o país da UE ao mesmo tempo em que manteve laços estreitos com Rússia e Estados Unidos, apesar da guerra na Ucrânia. O ex-premiê entrou em sucessivos embates com Bruxelas sobre estado de direito e direitos humanos, o que rendeu ao seu governo o rótulo de “iliberal”.

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Um dos principais pilares da vitória de Magyar foi o eleitorado jovem, que apoiou em massa seu partido, o Tisza, atraído pela promessa de mudança liberal e pela reaproximação com os países europeus.

Segundo a apuração oficial, o Tisza obteve 138 dos 199 assentos no Parlamento, com 53,56% dos votos. A eleição também foi marcada por participação recorde de 79,50% do eleitorado, impulsionada sobretudo pelos mais jovens.

Em sua primeira coletiva de imprensa após a vitória, Magyar afirmou que seu governo terá diversas tarefas urgentes, entre elas alterar a Constituição para limitar a dois o número de mandatos de um primeiro-ministro. “Faremos tudo para restaurar o estado de direito, a democracia e um sistema com freios e contrapesos”, declarou.

O líder do Tisza pediu ao presidente Tamás Sulyok, aliado do Fidesz de Orbán, que assegure uma transferência de poder rápida, com sua renúncia e a convocação do novo Parlamento.

Na Hungria, o presidente tem um papel majoritariamente cerimonial e é responsável por convocar o novo Parlamento em até 30 dias após o resultado das eleições, etapa necessária para legitimar o novo governo.