Quem é a “Impressora Humana”, assistente de Trump pivô de ataques a jornalista

Natalie Harp, assistente executiva do presidente dos EUA, foi uma das poucas pessoas do círculo íntimo dele a participar da troca secreta de aviões na Turquia; senador democrata fez insinuações sobre a relação entre os dois

A assistente executiva do presidente dos EUA, Donald Trump, Natalie Harp, desembarca do Air Force One na Base Conjunta Andrews, em Maryland, EUA - 16/08/2026 (Foto:  REUTERS/Ken Cedeno)
A assistente executiva do presidente dos EUA, Donald Trump, Natalie Harp, desembarca do Air Force One na Base Conjunta Andrews, em Maryland, EUA - 16/08/2026 (Foto: REUTERS/Ken Cedeno)

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Um dos mais recentes ataques do presidente Donald Trump contra jornalistas na Casa Branca envolveu uma figura que tem sido uma presença próxima constante no Salão Oval, sua assistente executiva Natalie Harp. Vários meios de comunicação trazem nesta semana perfis sobre a chamada “Impressora Humana”, que está no círculo íntimo do presidente desde sua posse, em janeiro de 2025 — e que se aproximou de Trump desde a campanha presidencial de 2020.

A correspondente da CNN Kristen Holmes, a mesma jornalista que que recebeu a reprimenda “Silêncio” ao vivo de Trump ao fazer uma pergunta sobre a relação com a Coreia do Norte, foi atacada diretamente nas redes sociais oficiais ao pedir uma resposta sobre insinuações a respeito de Harp feitas por um candidato democrata ao Senado.

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Jon Ossoff, senador pela Georgia, e que busca a reeleição em novembro, criticou Trump durante discurso no final de semana, dizendo que o presidente joga golfe e negocia ações enquanto drena reservas de munições e petróleo e dorme durante suas reuniões. “Ele não quer fazer o trabalho. Ele quer construir seu salão de baile e viajar com Natalie em seu aparentemente indefeso palácio voador presenteado pelo Emir do Catar”, afirmou, numa insinuação clara sobre a ligação entre o presidente e sua assistente.

A repórter pediu comentários de Trump sobre essa declarações. Num primeiro momento, ele desdenhou de Ossoff, comparando-o ao comediante Pee Wee Herman. Mas nas redes sociais, a Casa Branca passou a fazer ataques pessoais a Kristen Holmes, dizendo que ela é uma “vergonha para sua suposta profissão” e que, “um dia, seus filhos vão encontrar sua pergunta nojenta e desumana” e que eles ficarão “enjoados e envergonhados por ter uma mãe tão insensível e vingativa”.

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O tom mais forte só trouxe mais interesse público sobre a relação próxima de Trump com Harp e motivou diversas reportagens sobre as origens da assistente, que foi uma das poucas pessoas próximas do presidente a permanecer com ele na troca secreta de aviões, após ameaça de atentado na Turquia – até o secretário Marco Rubio permaneceu no Air Force One na ocasião, que foi usado como “isca”.

Quem é Natalie Harp?

O presidente dos EUA, Donald Trump, passa pela sua assistente executiva Natalie Harp enquanto participam de transferência dos restos mortais de militares do Exército – 22/07/2026 (Foto: REUTERS/Evan Vucci)

A californiana Natalie Harp, de 35 anos, é uma sobrevivente de câncer nos ossos que ficou famosa na Convenção do Partido Republicano em 2020 ao discursar elogiando a lei “Right to Try”, aprovada pelo presidente e que permitia acesso a tratamentos experimentais ainda não aprovados pela FDA.

“Quando falhei nas quimioterapias que estavam no mercado, ninguém quis me incluir nos ensaios clínicos”, disse ela em seu discurso. “Eles não me deram o direito de tentar tratamentos experimentais, Sr. Presidente. Você fez, e sem você, eu teria morrido esperando que fossem aprovados.”

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A notoriedade na convenção lhe rendeu convite para trabalhar como âncora na One America News Network, uma rede de TV pró-Trump, entre 2021 e 2022, quando ele defendeu insistentemente a tese de que as eleições vencidas por Joe Biden tinham sido fraudadas.

Ela entrou em definitivo na equipe de Trump em 2022. Em 2024, já na campanha presidencial vitoriosa rumo à Casa Branca, ela foi uma figura onipresente, mesmo sem ter um cargo formal. Munida de uma impressora portátil e uma bateria extra, Harp foi vista diversas vezes passando papeis para Trump, contendo histórias positivas, postagens nas redes sociais e outras correspondências. Nesse período, ela passou a ser chamada de “impressora humana” de Trump.

A assistente pessoa também e conhecida por defender seu território, estando presente em qualquer evento público de Trump e participando até de encontros que os convidados e conselheiros acreditavam ser particulares.

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Há vários episódios anedóticos contados por fontes próximas a Trump, como uma ida ao Tribunal em Nova York em 2023, quando Harp foi avisada que a comitiva dele não tinha um assento disponível para ela – após discutir aos gritos com a equipe no hall da Trump Tower, Harp teria viajado no porta-malas de um dos carros.

Uma fonte afirmou que Harp disse responder apenas a Trump, uma posição que tem geado atritos com funcionários acostumados a trabalhar pela cadeia de comando padrão da Casa Branca.

O porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, a defendeu, chamando Harp de “uma das assessoras mais leais e trabalhadoras da equipe do presidente Trump.”

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