Putin anuncia teste bem-sucedido de míssil nuclear com “alcance ilimitado”

Lançamento do Burevestnik ocorre enquanto Moscou avança na Ucrânia e Trump descarta nova cúpula com o líder russo

Marina Verenicz

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, fala durante uma coletiva de imprensa, ao fim de sua visita à China para a Cúpula da OCS em Tianjin e o desfile militar em comemoração ao 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, em Pequim, China, 3 de setembro de 2025. REUTERS/Maxim Shemetov/Pool
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, fala durante uma coletiva de imprensa, ao fim de sua visita à China para a Cúpula da OCS em Tianjin e o desfile militar em comemoração ao 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, em Pequim, China, 3 de setembro de 2025. REUTERS/Maxim Shemetov/Pool

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou neste domingo (26) um teste bem-sucedido do míssil de cruzeiro nuclear Burevestnik, descrito por Moscou como uma arma de “alcance ilimitado” e capaz de contornar todos os sistemas de defesa conhecidos.

O anúncio ocorre em meio à ofensiva russa na Ucrânia e ao impasse diplomático com os Estados Unidos, após o presidente americano Donald Trump minimizar as chances de uma nova cúpula com Putin.

“Os testes decisivos agora estão completos”, afirmou Putin em vídeo divulgado pelo Kremlin. “Ordenei a preparação de infraestrutura para colocar esta arma em serviço nas Forças Armadas russas. É uma criação única, que ninguém mais no mundo possui.”

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O míssil Burevestnik

Segundo o chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, o míssil voou por cerca de 15 horas e percorreu 14 mil quilômetros no último teste, em 21 de outubro, mas ainda não atingiu seu limite máximo.

“As características técnicas do Burevestnik permitem atingir alvos altamente protegidos em qualquer distância”, declarou Gerasimov.

O projeto do Burevestnik foi anunciado por Putin em 2018, como parte de um novo arsenal estratégico desenvolvido para escapar de sistemas antimísseis dos Estados Unidos.

Sete anos depois, o teste bem-sucedido marca um avanço simbólico para Moscou em meio à guerra prolongada na Ucrânia, onde as tropas russas têm conquistado terreno gradualmente.

Impasse com Trump

Enquanto exibe poder militar, Putin enfrenta relações congeladas com Washington. Trump, que havia prometido mediar um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia ao retornar à Casa Branca, reconheceu na sexta-feira (24) que suas conversas com o Kremlin “não levam a lugar nenhum”.

“Não vou perder meu tempo”, afirmou o presidente americano ao ser questionado sobre a possibilidade de uma nova reunião com Putin.

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Dias antes, Trump havia imposto sanções às duas maiores petrolíferas russas, em retaliação à falta de progresso nas negociações de cessar-fogo.

Segundo fontes do governo russo, o negociador Kirill Dmitriev manteve encontros com autoridades americanas na sexta e no sábado, mas sem avanços concretos.

Putin, por sua vez, afirmou que não pretende fixar prazos para o fim da guerra, indicando que as decisões militares seguirão “baseadas na racionalidade estratégica”.

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