Prisão de familiar é ‘arbitrária’ e expõe fragilidade do país, diz opositor de Maduro

Rafael Tundares estava preso preventivamente desde janeiro, no curso de um processo classificado como sigiloso pelo governo venezuelano

Caio César

Edmundo González Urrutia, candidato de oposição a Nicolás Maduro na Venezuela (Foto: Reprodução/YouTube)
Edmundo González Urrutia, candidato de oposição a Nicolás Maduro na Venezuela (Foto: Reprodução/YouTube)

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Familiares de Rafael Tundares, genro do ex-candidato à presidência da Venezuela Edmundo González Urrutia, denunciam a condenação de 30 anos de prisão por conspiração e outros crimes contra o governo de Nicolás Maduro.

O ex-candidato à presidência e pai da esposa de Tundares, González Urrutia, comentou o caso em sua conta no X. No texto, o opositor de Maduro classificou a condenação como algo “fora da legalidade democrática”.

“A arbitrariedade exibe fragilidade. Toda decisão pública deve se ajustar à lei, ou fica fora da legitimidade democrática. Por isso, rejeito a condenação imposta a Rafael. Trata-se de uma decisão sem sustento jurídico, incompatível com a Constituição e utilizada como represália política para tentar me afetar e distorcer a vontade expressa pelos venezuelanos”, diz trecho.

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Mariana González de Tundares, esposa de Rafael e filha do ex-candidato, disse também em comunicado que a condenação, ocorrida na segunda-feira (1º), foi finalizada sem que a família fosse avisada de quaisquer acusações específicas contra seu marido.

Na publicação, Mariana afirma que seu marido enfrentou um julgamento no qual seus direitos foram violados desde a prisão em janeiro, quando foi negado o acesso do advogado de defesa ao processo.

“Me disseram mais uma vez que o processo é confidencial devido à ‘natureza do caso’, o que representa uma grave violação dos direitos e garantias judiciais que Rafael possuía. Não desistirei e, apesar das circunstâncias adversas, continuarei lutando por todos os meios humanitários pela vida, liberdade, integridade pessoal e direitos do meu marido”, destaca trecho da publicação.

Rafael Tundares foi preso em 7 de janeiro, três dias antes de Nicolás Maduro assumir a presidência. À época, a família de González classificou a prisão como um “sequestro” em retaliação à participação de Edmundo na disputa presidencial.