Primeiro-ministro da Groenlândia diz que população deve se preparar para invasão

"Não é provável que haja um conflito militar, mas isso não pode ser descartado", disse o primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen

Bloomberg

Foto: REUTERS/Tom Little
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O primeiro-ministro da Groenlândia afirmou que a população da ilha ártica e suas autoridades precisam começar a se preparar para uma possível invasão militar, embora esse continue sendo um cenário improvável, enquanto o presidente Donald Trump segue ameaçando assumir o controle do território.

“Não é provável que haja um conflito militar, mas isso não pode ser descartado”, disse o primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen em uma coletiva de imprensa na capital, Nuuk, na terça-feira.

O governo da Groenlândia formará uma força-tarefa composta por representantes de todas as autoridades locais relevantes para ajudar a população a se preparar para possíveis interrupções da vida cotidiana, afirmou Nielsen. O governo está trabalhando na distribuição de novas diretrizes à população, incluindo a recomendação de manter alimentos suficientes para cinco dias estocados em casa.

Trump disse que precisa ser dono da Groenlândia por razões de segurança e, mais cedo na terça-feira, publicou uma imagem gerada por IA de si mesmo plantando uma bandeira dos EUA na ilha. A Groenlândia, com uma população de 57 mil habitantes, faz parte do Reino da Dinamarca, mas possui seu próprio governo, responsável pela maioria dos aspectos da vida, exceto defesa e política externa. Nos últimos dias, a Dinamarca deslocou mais tropas para a Groenlândia para reforçar a defesa do Ártico.

A Groenlândia está sob “muita pressão” e “precisamos estar prontos para todos os cenários”, disse Mute B. Egede, ministro das Finanças da ilha e ex-líder, na mesma coletiva de imprensa.

Enquanto isso, as Forças Armadas do Canadá modelaram como responderiam a uma invasão americana depois que Trump falou publicamente sobre o país como um possível 51º estado, segundo uma reportagem do Globe and Mail, que citou autoridades não identificadas que enfatizaram considerar uma invasão dos EUA altamente improvável.

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Em um movimento para reforçar a segurança do território, a Dinamarca e outros sete países da OTAN deslocaram, na semana passada, um pequeno número de oficiais para a ilha como parte da Operação Arctic Endurance. O Comando Conjunto do Ártico da Dinamarca agora expandirá os exercícios militares para que possam ocorrer potencialmente durante todo o ano, informou um jornal groenlandês na terça-feira.

No sábado, o presidente dos EUA ameaçou impor novas tarifas a partir de 1º de fevereiro sobre os oito aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte que estão enviando pessoal militar, intensificando as tensões entre Washington e a Europa. Na terça-feira, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, alertou que a Europa teria de responder caso as tarifas sejam implementadas e que poderia haver “grandes consequências” em ambos os lados do Atlântico.

“Se uma guerra comercial for lançada contra nós, algo que não recomendo, então, é claro, teremos de responder. Seríamos forçados a fazê-lo”, disse ela durante uma sessão de perguntas e respostas no parlamento dinamarquês. “Espero que não cheguemos a esse ponto. Espero que consigamos convencer os americanos de que este não é o caminho que devemos seguir.”