Primeiro-ministro britânico avalia não ir à COP30 em Belém, diz Financial Times

Discussões no governo britânico opõem aliados que defendem presença na cúpula e assessores que priorizam agenda doméstica; problemas de infraestrutura em Belém também pesam na decisão

Paulo Barros Agências de notícias

Premiê britânico Keir Starmer
 18/9/2025   Leon Neal/Pool via REUTERS
Premiê britânico Keir Starmer 18/9/2025 Leon Neal/Pool via REUTERS

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O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, pode não comparecer à COP30, marcada para Belém (PA), segundo o Financial Times. Três pessoas com conhecimento das discussões afirmaram ao jornal que ele não é esperado na cúpula de líderes, prevista para os dias 6 e 7 de novembro.

Dentro do governo trabalhista, há divergências sobre a viagem. Parte dos assessores pressiona para que Starmer compareça e reforce o compromisso britânico com a agenda climática. Outros defendem foco em questões internas, apontando que ele já passou tempo excessivo fora do país e que eleitores do Reform UK não veem relevância no tema.

A indefinição ocorre dias após Starmer tentar deslocar Ed Miliband da pasta de Energia em uma reforma ministerial, movimento interpretado como tentativa de reduzir o peso de políticas de neutralidade de carbono. Miliband resistiu à mudança e seguirá no cargo, além de representar o Reino Unido na fase principal da COP30, entre 10 e 21 de novembro.

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A possível ausência do premiê contrasta com críticas feitas por ele em 2022 ao então primeiro-ministro Rishi Sunak, que não esteve na COP27 no Egito. Na época, Starmer afirmou que se fosse chefe de governo “estaria indo” para reunir líderes mundiais.

A decisão é acompanhada de perto por ambientalistas e ex-conselheiros do governo. Michael Jacobs, hoje professor na Universidade de Sheffield, disse ao FT que uma ausência britânica daria a Donald Trump “uma grande vitória sobre o Acordo de Paris”. Doug Parr, diretor de políticas do Greenpeace UK, afirmou que Starmer “foi rápido em criticar seus antecessores conservadores por abandonarem cúpulas anteriores — não deveria recuar agora”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anfitrião do encontro, declarou nesta semana que “é hora de os líderes mundiais provarem a seriedade de seu compromisso com o planeta”.

Problemas de infraestrutura em Belém também pesam na decisão. O FT relatou que governos e empresas apontaram falta de hospedagem adequada, com diárias chegando a US$ 2 mil. Um integrante do governo britânico avaliou que “a organização tem sido totalmente caótica” e que a narrativa climática encontra resistências no cenário político interno.

(com Reuters)

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)