Presidente da Coreia do Sul quer retomar dos EUA comando de tropas

Atualmente, os EUA comandariam as tropas aliadas ​em caso de guerra na península coreana

Reuters

Líder do Partido Democrático da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, faz uma declaração ao público na Assembleia Nacional em Seul, Coreia do Sul, em 27 de dezembro de 2024 (REUTERS/Kim Hong-Ji)
Líder do Partido Democrático da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, faz uma declaração ao público na Assembleia Nacional em Seul, Coreia do Sul, em 27 de dezembro de 2024 (REUTERS/Kim Hong-Ji)

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SEUL, ⁠27 Mar (Reuters) – O presidente da Coreia do Sul, ⁠Lee Jae Myung, afirmou nesta sexta-feira que o país buscará ‌retomar o controle operacional em tempos de guerra, hoje nas mãos dos EUA, o mais brevemente possível, ressaltando a necessidade de maior ‌autossuficiência militar.

Em uma reunião com líderes militares no Ministério da Defesa, Lee também afirmou que o governo buscará reformas militares, como a implementação do recrutamento seletivo, para melhor refletir as realidades demográficas e de segurança.

Lee citou as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, bem ⁠como ‌a tensão na península coreana, afirmando que a principal responsabilidade das ⁠forças armadas era se manter pronta para responder a provocações da Coreia do Norte.

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‘A aliança inabalável entre a Coreia do Sul e os EUA é um pilar essencial para a paz e a estabilidade na península, mas a dependência excessiva não ​é desejável’, disse.

‘A transferência do controle operacional em tempos de guerra será realizada com rapidez.’

Atualmente, os EUA comandariam as tropas aliadas ​em caso de guerra na península coreana, mas sucessivos governos sul-coreanos têm buscado retomar o controle das operações em tempos de guerra.

O governo de Lee sinalizou que pretende finalizar o processo durante seu mandato, que vai até 2030, assim que a Coreia ‌do Sul cumprir um conjunto de condições de ​capacidade militar acordadas com os EUA.

Ele afirmou ainda que as forças armadas da Coreia do Sul devem estar preparadas para assumir um papel de liderança na defesa ⁠da península, citando uma ​mudança para um ‘exército ​mais inteligente e forte’, equipado para lidar com os futuros campos de batalha moldados por ⁠tecnologia avançada.

As forças armadas são compostas ​em grande parte por recrutas, sendo que a maioria dos homens é obrigada a servir por cerca de 18 meses. Isso reflete a situação ​do país, que formalmente ainda está em guerra com a Coreia do Norte, na ausência de um tratado de ​paz após o armistício ⁠de 1953.

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O recrutamento seletivo foi um tema recorrente nas campanhas presidenciais de Lee, durante ⁠as quais ele prometeu manter o serviço obrigatório, mas permitir que os recrutas elegíveis optassem pelo serviço voluntário ou por caminhos alternativos, além de ajustar os termos de serviço para lidar com a redução da força militar da Coreia do Sul, causada pelas mudanças demográficas.