Presidente chinês celebra “novo posicionamento” nos laços com os EUA

A visita de Trump a Pequim ocorre em um momento ‌em que a guerra contra o Irã está prejudicando os índices de aprovação interna

Reuters

O presidente da China, Xi Jinping, participa de uma reunião com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov (fora do enquadramento), no Grande Salão do Povo, em Pequim, China, em 15 de abril de 2026. Foto: Iori Sagisawa/Pool via REUTERS
O presidente da China, Xi Jinping, participa de uma reunião com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov (fora do enquadramento), no Grande Salão do Povo, em Pequim, China, em 15 de abril de 2026. Foto: Iori Sagisawa/Pool via REUTERS

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PEQUIM, 14 Mai (Reuters) – O presidente da China, Xi Jinping, saudou ⁠na quinta-feira um ‘novo posicionamento’ dos laços com os Estados Unidos, que prevê a cooperação com ‌uma competição comedida, após reunião com o presidente Donald Trump.

A visita de Trump a Pequim, a primeira de um presidente dos EUA em quase uma década, vai até sexta-feira, em um momento ‌em que a guerra contra o Irã está prejudicando os índices de aprovação interna antes das eleições de meio de mandato.

Xi disse que ambos os líderes concordaram que a construção de um ‘relacionamento construtivo e estrategicamente estável’ guiará os laços nos próximos três anos e além, de acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da China.

Xi descreveu esses laços como sendo baseados principalmente na cooperação, mas ⁠com ‌uma competição comedida para ‘uma estabilidade normal na qual as diferenças são controláveis e uma estabilidade duradoura ⁠na qual a paz pode ser esperada’, acrescentou o ministério.

Analistas afirmaram que a referência à ‘estabilidade estratégica construtiva’ demonstra que a China está seguindo gradações nas relações que criam uma estrutura diplomática na qual pode gerir laços multifacetados com os Estados Unidos.

POSITIVOS, MAS AINDA NÃO PARCEIROS

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A nova estrutura chinesa ecoou a formulação da era Clinton de ‘parceria estratégica construtiva’ proposta em 1997 — a ​mais positiva após o fim da Guerra Fria — e sinalizou o desejo da China de colocar as relações em bases mais seguras.

Pequim havia estruturado os laços com Washington em termos de ​parceria e cooperação nos anos 2000 e no início dos anos 2010.

Mas o aumento da competição e da rivalidade depois que a China ultrapassou o Japão e se tornou a segunda maior economia do mundo em 2010, bem como a ascensão de Xi ao poder em 2012 e a volatilidade induzida por Trump desde 2016, resultaram em uma linguagem de interdependência gerenciada, competição estratégica ‌e prevenção de conflitos.

A nova estrutura marca uma mudança significativa em ​relação às ‘caracterizações negativas’ do passado, como a competição entre grandes potências, disse Wang Wen, professor da Universidade Renmin de Pequim.

‘A principal distinção está em sua ênfase em um modelo positivo de interação marcado pela cooperação como o principal pilar, ⁠juntamente com uma concorrência comedida, diferenças gerenciáveis ​e uma perspectiva previsível ​de paz’, afirmou Wang.

‘É uma linguagem nova e acho que reflete o desejo da China de colocar mais barreiras institucionais em ⁠torno das relações entre os EUA e a China, ​tanto de competição quanto de cooperação’, disse Joe Mazur, analista de geopolítica da consultoria Trivium China, sediada em Pequim.

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A China e os EUA ‘devem ser parceiros, em vez de rivais’, disse Xi durante um banquete de Estado para ​Trump na quinta-feira.

Mas os atritos, como os do conflito com o Irã e as recentes sanções impostas pelos EUA às empresas chinesas, continuam a ‘complicar a dinâmica EUA-China’ ​e podem testar a durabilidade ⁠da nova estrutura, disse Zhao Minghao, especialista em relações internacionais da Universidade Fudan de Xangai.

Mesmo falando em cooperação, Xi enfatizou a ‘máxima cautela’ ⁠dos Estados Unidos ao lidar com a questão de Taiwan, a ilha democraticamente governada reivindicada pela China, embora Taipé rejeite a alegação.

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‘Se for tratada de forma inadequada, os dois países poderão entrar em colisão ou até mesmo em conflito, levando toda a relação entre a China e os EUA a uma situação extremamente perigosa’, disse o líder chinês.