Premiê do Canadá negocia para tornar país “membro associado” da UE, diz jornal

Segundo o Wall Street Journal, Mark Carney discute com líderes europeus integração em cadeias estratégicas como energia, minerais críticos e defesa, em resposta ao colapso das negociações comerciais com Washington

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O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, está negociando com líderes europeus uma aproximação inédita entre o país e a União Europeia, incluindo a possibilidade de um título de “membro associado” do bloco, segundo reportagem do Wall Street Journal publicada neste domingo (13).

De acordo com o jornal americano, a movimentação ganhou força depois que as negociações comerciais entre Canadá e Estados Unidos entraram em colapso, no que autoridades descrevem como a pior guerra comercial bilateral entre os dois países na história recente. Carney vem conversando nos últimos meses com líderes de praticamente todos os principais países europeus sobre formas de aprofundar a integração entre o Canadá, de 41 milhões de habitantes, e o bloco de 27 nações.

Segundo apurou o WSJ, o premiê instruiu seu enviado especial à Europa a mapear as alternativas mais ambiciosas possíveis, aquém da adesão plena à UE ou ao seu mercado comum. Autoridades de ambos os lados afirmaram ao jornal que a União Europeia, historicamente rígida na aplicação de suas regras de associação, está aberta à proposta do “membro associado”.

O noticiário aponta que as conversas avançam em setores estratégicos como energia, inteligência artificial, minerais críticos para baterias e semicondutores, e principalmente defesa. Na prática, bens, serviços e trabalhadores dessas indústrias poderiam circular com menos barreiras entre a União Europeia e o Canadá. Em conversas com a França, cujo presidente Emmanuel Macron mantém contato frequente com Carney, chegou a surgir a ideia de permitir que canadenses vivam e trabalhem na Europa sem necessidade de visto, segundo dois funcionários ouvidos pelo jornal.

As tratativas também incluem a construção conjunta de cabos submarinos, data centers, armazenamento em nuvem e redes de satélites fora do alcance de gigantes de tecnologia americanos, além de gasodutos para redirecionar gás natural do Canadá à Europa, hoje dependente de rotas pelos Estados Unidos.

O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, que mantém contato regular com Carney, declarou ao WSJ: “Não seria adorável se o Canadá fosse o 28º estado da União Europeia, em vez do 51º estado dos Estados Unidos?”

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Ainda segundo o levantamento do jornal, a aproximação enfrenta obstáculos. Dez países europeus ainda não ratificaram um acordo comercial anterior entre UE e Canadá, fechado há uma década. Autoridades europeias também temem que Carney esteja usando as conversas como instrumento de pressão nas negociações com Washington, e o bloco evita oferecer termos generosos demais, receando pedidos semelhantes de outros membros, num cenário sensibilizado pelo Brexit.

Um funcionário americano ouvido pelo WSJ ponderou que, com os Estados Unidos reduzindo seu papel como consumidor global, não está claro se Canadá ou União Europeia teriam capacidade de absorver a produção um do outro.

Carney deve discursar nesta quinta-feira no Parlamento Europeu para detalhar sua visão de aproximação com o bloco, e uma cúpula bilateral entre as partes deve anunciar novos grupos de trabalho conjuntos logo em seguida.

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