Petro pede extradição de Maduro e eleva tensão com EUA antes de encontro com Trump

Solicitação ocorre com ex-líder venezuelano preso em Nova York e expõe histórico recente de atritos entre Colômbia e Washington

Marina Verenicz

Presidente da Colômbia, Gustavo Petro
03/10/2025
REUTERS/Luisa Gonzalez
Presidente da Colômbia, Gustavo Petro 03/10/2025 REUTERS/Luisa Gonzalez

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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, solicitou aos Estados Unidos que Nicolás Maduro seja extraditado para responder a um julgamento em território colombiano. O pedido foi feito nesta terça-feira (27), quando o ex-líder venezuelano permanece detido em uma prisão de Nova York após ter sido capturado em Caracas, no início de janeiro, por forças americanas.

A iniciativa ocorre às vésperas da primeira visita oficial de Petro a Washington desde a posse de Donald Trump, marcada para a próxima semana. O encontro acontece após meses de deterioração da relação bilateral, marcada por trocas públicas de acusações e medidas punitivas adotadas pelo governo norte-americano contra Bogotá.

Maduro foi levado aos Estados Unidos após uma operação militar autorizada por Trump, que enquadrou o venezuelano em acusações relacionadas ao narcotráfico. A permanência do ex-presidente sob custódia americana, no entanto, passou a ser questionada por Petro, que defende que o julgamento ocorra na região, sob jurisdição colombiana.

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A relação entre Petro e a Casa Branca se tornou especialmente tensa desde 2025. Trump acusou o presidente colombiano de tolerar o avanço do tráfico de cocaína com destino aos EUA e chegou a se referir a ele como “um homem doente”. No mesmo período, Washington retirou a certificação dos esforços antidrogas da Colômbia, um gesto com peso político e econômico relevante.

As tensões se aprofundaram em setembro, quando o visto de Petro foi cancelado após sua participação em uma manifestação pró-Palestina em Nova York e declarações que incentivaram militares americanos a desobedecerem ordens do governo Trump.

Em outubro, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), ligado ao Departamento do Tesouro dos EUA, incluiu Petro, sua esposa, seu filho mais velho e o ministro do Interior, Armando Benedetti, em uma lista associada a investigações sobre tráfico de drogas, lavagem de dinheiro ou terrorismo, segundo a legislação americana.

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