Pesquisas reforçam favoritismo dos democratas nas eleições “midterm”

Levantamento divulgado nesta quarta-feira aponta que os esforços de Donald Trump para transformar as eleições de meio de mandato em um referendo sobre sua presidência parecem estar se voltando contra ele

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A cada quatro anos, os Estados Unidos renovam um terço das cadeiras do Senado e toda a Câmara de Representantes, eleição chamada lá de “midterms”, por se localizar exatamente na metade do mandato do presidente.  A edição de 2026 dessa disputa parece seguir uma regra não escrita de que o partido do presidente normalmente perde cadeiras e, na maioria das vezes, o próprio controle do Congresso.

Segundo análises publicadas em sites americanos, em apenas três eleições desse tipo desde a Guerra Civil, o partido do presidente não perdeu cadeiras. Isso aconteceu em 1934 (quanto a sociedade vivia o otimismo do New Deal de Franklin D. Roosevelt), em 2002 (com a onda patriotismo sob a gestão de George W. Bush após os ataques terroristas de setembro de 2021) e em 1998 (período no qual houve uma leitura de exageros na Câmara pelo impeachment de Bill Clinton).

Na três ocasiões, os presidentes estavam com forte popularidade. Não havia medições nesse sentido no governo Roosevelt, mas Clinton estavam com aprovação de 66% e Bush era bem-visto por 63% da população.

Nos últimos 90 anos, o partido do presidente em exercício perdeu em média 27 cadeiras na Câmara dos Representantes e três cadeiras no Senado em eleições de meio de mandato, segundo uma análise recente da Universidade de Santa Barbara.

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Controle do Senado e Câmara

A conta parece pequena, mas faz diferença gritante para a aprovação de proposições do presidente nas duas Casas.

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Cada um dos 50 estados dos EUA elege dois senadores para mandatos escalonados de seis anos. A conta hoje favorece Trump, com 53 republicanos e 47 democratas – incluindo 2 independentes que votam com eles. Mesmo em disputas que não conseguem atrair a unanimidade dos republicanos, é possível contar com o voto de Minerva do vice-presidente num eventual empate.

Neste ano, os democratas precisam conquistar quatro cadeiras dos republicanos para conquistar o controle do Senado – e as pesquisas mostra que a disputa está em aberto em ao menos 9 dos 35 estados com eleições de senadores. A maioria dessas disputas se dá em estados onde Trump venceu em 2024, mas sua aprovação em queda coloca a vantagem em risco.

Nas últimas contas, apenas com os estados onde atualmente existe uma liderança democrata nas pesquisas, o partido já garantiria uma maioria de 52 assentos.

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Na Câmara, são 435 representantes de cada distrito congressional, que exercem um mandato de dois anos. A vantagem republicana atual é de 219 a 214 (há dois assentos vagos).

A conta é que os democratas precisam conquistar em 3 de novembro um número líquido de três distritos para tomar a maioria na Câmara, enquanto isso, os republicanos não podem perder mais do que dois distritos para manter a maioria na Casa.

Impopularidade de Trump

Para 2026, o quadro não é favorável aos republicanos sob o comando de Donald Trump. A média das pesquisas nacionais tem dado uma desaprovação líquida de 20,5 pontos percentuais contra Trump (39% contra 59,5%). Na terça-feira, a CNN divulgou estudo mostrando uma aprovação de apenas 33% do presidente, contra 67% de desaprovação.

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Por conta disso, as pesquisas sobre o resultado das “midterms” têm dado vantagem para os democratas na disputa para as cadeiras do Senado e da Câmara. Levantamento divulgado nesta quarta-feira por PBS News, NPR e Marist, aponta que os esforços de Trump para transformar as eleições de meio de mandato em um referendo sobre sua presidência parecem estar se voltando contra ele.

Mais da metade dos eleitores registrados (53%) entrevistados dizem que votariam em candidatos democratas se a eleição fosse hoje, enquanto 41% disseram preferir os republicanos. Independentes, que frequentemente decidem disputas competitivas, favorecem os democratas por uma margem de 25 pontos, segundo a pesquisa.

Contra os republicanos pesa um descontentamento cada vez maior em relação aos efeitos econômicos da guerra contra o Irã e da agressiva política comercial de Trump nos preços internos. Por outro lado, a atividade e econômica e a geração de emprego permanecem resilientes.