Peru aciona estado de emergência e envia tropas à fronteira com o Chile

Governo reage à chegada crescente de migrantes que tentam deixar território chileno

Marina Verenicz

Policiais peruanos estão posicionados perto do Complexo Fronteiriço de Chacalluta para impedir a passagem de migrantes venezuelanos que tentam deixar o Chile, em meio à retórica anti-imigração do candidato presidencial chileno de extrema-direita, José Antonio Kast. O presidente do Peru, José Jeri, planeja declarar estado de emergência e mobilizar tropas nas passagens de fronteira. A imagem foi tirada em Arica, Chile, em 28 de novembro de 2025. REUTERS/Alexander Infante
Policiais peruanos estão posicionados perto do Complexo Fronteiriço de Chacalluta para impedir a passagem de migrantes venezuelanos que tentam deixar o Chile, em meio à retórica anti-imigração do candidato presidencial chileno de extrema-direita, José Antonio Kast. O presidente do Peru, José Jeri, planeja declarar estado de emergência e mobilizar tropas nas passagens de fronteira. A imagem foi tirada em Arica, Chile, em 28 de novembro de 2025. REUTERS/Alexander Infante

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Palco da final da Libertadores neste sábado, o Peru vive momentos de tensão com o Chile. O governo peruano decidiu endurecer o controle na divisa com o país vizinho e colocou a região de Tacna em estado de emergência por dois meses. A medida, publicada na sexta-feira (28), amplia o poder de atuação das forças de segurança e autoriza o envio imediato de militares para reforçar a vigilância em pontos estratégicos da fronteira.

O decreto atinge os distritos de Palca, Tacna e La Yarada-Los Palos e prevê atuação conjunta de policiais e tropas do Exército para conter tanto o avanço da criminalidade quanto o fluxo crescente de pessoas que tentam cruzar a divisa sem documentação.

Segundo o Ministério do Interior, os primeiros 50 militares já foram deslocados ao posto de Santa Rosa. Outro grupo do Exército deve chegar nos primeiros dias de dezembro.

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A decisão foi tomada após relatos de aglomeração de migrantes na área fronteiriça. Imagens divulgadas pela rádio local mostraram famílias, algumas com crianças nos braços, tentando deixar o Chile rumo ao Peru.

As autoridades peruanas dizem monitorar a movimentação desde a madrugada, mas evitam divulgar estimativas sobre o número de pessoas envolvidas.

Do lado chileno, o Ministério da Segurança reconheceu o acúmulo de migrantes que buscam sair do país, em meio ao clima eleitoral que colocou o tema da imigração no centro do debate.

O candidato conservador José Antonio Kast, favorito no segundo turno do dia 14 de dezembro, defende a expulsão de estrangeiros sem documentação, proposta que provocou apreensão entre grupos de migrantes.

A crise migratória reacendeu tensões em toda a região andina, especialmente nos corredores entre Venezuela, Peru e Chile, e levou Lima a adotar medidas preventivas antes da possível chegada de novos fluxos ao extremo sul do país.