Passageiros “morcegos” e mau tempo: o que se sabe sobre o avião da Delta que capotou

Aeronave virou de cabeça para baixo ao pousar em Toronto, no Canadá, deixando 18 feridos; investigações estão em andamento

Paulo Barros

Os primeiros socorristas trabalham no local da queda do avião da Delta Air Lines no Aeroporto Internacional Toronto Pearson em Mississauga, Ontário, Canadá, em 17 de fevereiro de 2025. REUTERS/Arlyn McAdorey
Os primeiros socorristas trabalham no local da queda do avião da Delta Air Lines no Aeroporto Internacional Toronto Pearson em Mississauga, Ontário, Canadá, em 17 de fevereiro de 2025. REUTERS/Arlyn McAdorey

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Um avião da Delta Air Lines, que partiu de Minneapolis com destino ao Aeroporto Internacional Pearson, em Toronto, capotou ao pousar na segunda-feira (17). A aeronave, um CRJ900, ficou de cabeça para baixo na pista, mas todos os 80 ocupantes sobreviveram, segundo a companhia aérea. O acidente ocorreu às 14h13 no horário local (16h13 de Brasília) e deixou 18 pessoas feridas, incluindo uma criança, de acordo com o Toronto Airport Fire Chief Todd Aitken.

O incidente ocorre em um momento de grande preocupação com a segurança da aviação, após vários acidentes aéreos recentes na América do Norte. Entenda, a seguir, tudo o que se sabe até agora sobre o caso.

O que aconteceu com o voo da Delta em Toronto?

O Delta Flight 4819, operado pela Endeavor Air, filial da companhia aérea, enfrentou um pouso extremamente difícil, resultando no tombamento da aeronave. Passageiros relataram que o impacto foi forte e que, logo após tocar o solo, o avião girou e ficou de cabeça para baixo.

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O passageiro Pete Koukov, em entrevista à CNN, descreveu a situação:

“Não sabia que havia um problema até o momento do impacto. De repente, estávamos de lado e, depois, de cabeça para baixo, pendurados como morcegos.”

Imagens do local mostraram o avião com as rodas para cima na pista coberta de neve, com uma asa completamente separada do fuselagem.

Feridos e resposta das autoridades

Entre os 18 feridos, três foram considerados em estado crítico, incluindo uma criança que foi encaminhada para o Hospital for Sick Children, em Toronto.

O presidente da Delta Air Lines, Ed Bastian, expressou solidariedade às vítimas e agradeceu aos socorristas pela rápida resposta:

“O coração de toda a família global da Delta está com os afetados pelo incidente no Aeroporto Pearson. Agradeço aos nossos funcionários e aos socorristas pela prontidão no atendimento.”

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A administração do aeroporto também destacou o papel das equipes de emergência para evitar um desastre maior.

O que causou o acidente?

O mau tempo pode ter sido um fator contribuinte. A aterrissagem ocorreu sob ventos de até 64 km/h, mas as condições da pista eram consideradas secas no momento do impacto.

Especialistas em aviação indicam que o avião enfrentou fortes rajadas cruzadas, o que pode ter dificultado o pouso. À Reuters, o especialista em segurança aérea John Cox, disse que pilotos precisam fazer ajustes constantes em situações como essa:

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“Os ventos cruzados variavam, exigindo ajustes contínuos na velocidade e na trajetória vertical e lateral.”

O Transporation Safety Board (TSB) do Canadá iniciou as investigações, com apoio do National Transportation Safety Board (NTSB) dos EUA. Investigadores da FAA (Federal Aviation Administration) também foram enviados a Toronto para auxiliar no caso.

Aeroporto com pistas fechadas

Embora os voos tenham sido retomados, o Aeroporto Pearson manterá duas pistas fechadas nos próximos dias para a investigação. Passageiros enfrentam atrasos e impactos operacionais enquanto as autoridades analisam as causas do acidente.

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A CEO do aeroporto, Deborah Flint, reforçou que o trabalho das equipes de resgate foi fundamental para evitar fatalidades:

“Estamos muito gratos por não haver vítimas fatais e apenas ferimentos relativamente leves.”

Mais um acidente nos EUA

O acidente em Toronto ocorre em meio a uma sequência de tragédias na aviação norte-americana. No início do mês, uma colisão no ar em Washington matou 67 pessoas. Depois, a queda de um avião médico na Filadélfia resultou em sete mortes; e o acidente com um voo da Alaska Airlines vitimou 10 passageiros.

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(Com Reuters, CNN e The New York Times)

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)