Publicidade
A presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Cleveland, Beth Hammack, projetou que a inflação dos Estados Unidos não deve retornar para a meta de 2% nos próximos dois anos, em rodada de perguntas e respostas no Clube Econômico de Nova York, nesta quinta-feira, 6. Segundo ela, a inflação ao longo dos anos “vai além da pressão tarifária”.
“Estou um pouco apreensiva com a política atual, dada a inflação”, acrescentou. “A maior ‘falta’ do Fed está no que diz respeito à inflação em relação à meta de geração de empregos”, disse, ao mencionar que os dados oficiais – que tiveram a divulgação suspensa por conta do shutdown – fazem falta para a avaliação da economia, mas que há outros indicadores em que os dirigentes “podem confiar”.

Taxa de juros natural é difícil de determinar, diz John Williams do Fed de NY
Williams salientou que a variação dos dados importa mais que taxa neutra para formulação de políticas

Soja do Brasil seria competitiva mesmo sem tarifas da China para EUA, dizem analistas
De todas as exportações de soja do Brasil de janeiro a outubro, a China, maior importador global, foi destino de 79,9%
Hammack, que acredita que o BC norte-americano está perto da taxa neutra, classificou como “desafiador” o momento para os formuladores de política monetária e defendeu que o Fed ainda deve se manter restritivo.
Aproveite a alta da Bolsa!
Sobre o mercado acionário, ela destacou que há muito otimismo em relação à inteligência artificial (IA), o que pode impulsionar para uma supervalorização do setor, mas disse que o atual momento pode ser comparado com o que aconteceu durante a expansão da internet.
“A IA é uma mudança econômica estrutural que não se adapta bem a mudanças de política monetária”, afirmou a dirigente do Fed.
Hammack não acredita que a ferramenta de tecnologia substitua o trabalho humano, mas citou o impacto na produtividade.
Continua depois da publicidade
A presidente do Fed de Cleveland, que é membro suplente das reuniões do BC, ponderou que “algum nível” de volatilidade no mercado monetário é aceitável e citou que ouve sobre “economia em duas velocidades”, em que as classes de renda mais baixa enfrentam dificuldades e o consumo é impulsionado pelos americanos de renda mais alta.