Papa Leão XIV diz que palavras de Trump podem “desfazer” aliança EUA-Europa

Pontífice criticou declarações do presidente Trump e destaca riscos para a aliança histórica entre EUA e Europa

Bloomberg

Papa Leão 14 no Vaticano 10/9/2025 REUTERS/Guglielmo Mangiapane
Papa Leão 14 no Vaticano 10/9/2025 REUTERS/Guglielmo Mangiapane

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O Papa Leão XIV criticou os recentes ataques do presidente dos EUA, Donald Trump, contra a Europa, afirmando que os comentários podem desestabilizar uma aliança transatlântica de longa data.

“As declarações feitas sobre a Europa, inclusive em entrevistas recentes, acredito que tentam desfazer o que considero uma aliança muito importante hoje e no futuro”, disse o Papa a repórteres na noite de terça-feira (9), após se reunir com o presidente ucraniano Volodimir Zelenski, próximo a Roma.

Horas antes, o Politico havia publicado uma entrevista com Trump, na qual o presidente criticava os aliados europeus por sua incapacidade de obter resultados, enquanto afirmava que a Rússia tinha vantagem na guerra contra a Ucrânia.

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Os comentários do papa representam a indicação mais forte até agora de sua divergência com Trump sobre o futuro das relações entre EUA e Europa. Ambos são cidadãos americanos e, embora Trump frequentemente tenha tido conflitos com o predecessor de Leão, o papa Francisco, observadores esperavam que a origem comum dos dois pudesse ajudar a manter EUA e Europa próximos.

Questionado sobre o plano de Trump para a Ucrânia, o papa disse que “infelizmente” alguns aspectos que ele viu poderiam provocar “uma grande mudança no que foi, por muitos e muitos anos, uma verdadeira aliança entre Europa e Estados Unidos.”

Outros na Europa também têm se mostrado pessimistas quanto ao futuro da relação com os EUA, após décadas de cooperação em temas como comércio e segurança desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

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“O que antes chamávamos de Ocidente normativo não existe mais nessa forma”, disse o chanceler alemão Friedrich Merz em Berlim nesta terça-feira. “No máximo, ainda é uma designação geográfica, mas não mais um vínculo normativo que nos une.”

Zelenski esteve em Roma na terça para se reunir com o Papa e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni. O líder ucraniano tem enfrentado recentes reveses — domésticos, no exterior e no campo de batalha — enquanto tenta pôr fim à guerra.

O forte apoio da Itália à Ucrânia tem se tornado mais conflituoso recentemente, à medida que os fundos destinados à ajuda militar diminuíram e as tensões dentro da coalizão de Meloni aumentaram.

O Vaticano surgiu no início deste ano como um possível local para negociações de paz entre Rússia, EUA e Ucrânia, embora nenhuma reunião tenha se concretizado.

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