Papa Leão 14 pede que Camarões rejeite violência em missa com 120.000 pessoas

Vaticano estimou que 120.000 pessoas se dirigiram ao Estádio ‌Japoma para participar da celebração

Reuters

O papa Leão 14, cardeal Robert Prevost, na sacada da Basílica de São Pedro, no Vaticano
08/05/2025
Guglielmo Mangiapane/ REUTERS
O papa Leão 14, cardeal Robert Prevost, na sacada da Basílica de São Pedro, no Vaticano 08/05/2025 Guglielmo Mangiapane/ REUTERS

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DOUALA, CAMARÕES, 17 Abr (Reuters) – ⁠Grandes multidões se reuniram do lado de fora de um estádio ⁠em Douala, a maior cidade e centro econômico de Camarões, para uma missa com ‌o Papa Leão 14 nesta sexta-feira, anunciada como o maior evento da turnê do pontífice por quatro países da África.

O Vaticano, citando as autoridades locais, estimou que 120.000 pessoas se dirigiram ao Estádio ‌Japoma para participar da celebração e ouvir o discurso do papa, que tem sido franco sobre a guerra e a desigualdade, atraindo a ira do presidente dos EUA, Donald Trump.

Com forte presença de seguranças na área, alguns camaroneses foram até o estádio na quinta-feira, dormindo no local durante a noite, para que pudessem testemunhar a fala de Leão 14 pessoalmente.

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‘Foi difícil — o frio, os mosquitos e tudo mais’, ⁠disse ‌um participante, Kevin Kaegam.

‘Mas como queríamos ver o sumo pontífice, não tivemos escolha.’

Leão, o primeiro papa norte-americano, ⁠estreou um novo e vigoroso estilo de discurso em sua turnê pela África. Em discurso em Camarões na quinta-feira, ele disse que o mundo estava ‘sendo devastado por um punhado de tiranos’, sem citar nomes.

Rejeição da violência

Depois de chegar a Douala de avião, vindo de Yaoundé, Leão 14 disse nesta sexta-feira que muitas pessoas em Camarões experimentam a ‘pobreza material e espiritual’, mas ​pediu aos fiéis que rejeitem a violência como um meio de progredir, independentemente das dificuldades que enfrentam.

‘Não ceda à desconfiança e ao desânimo’, pediu o papa, em um apelo feito em ​inglês durante um discurso que, de resto, foi quase todo em francês.

‘Rejeitem toda forma de abuso ou violência, que engana prometendo ganhos fáceis, mas endurece o coração e o torna insensível.’

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Invocando o milagre dos pães e peixes relatado nos Evangelhos, no qual Jesus alimentou milhares de pessoas com recursos escassos, Leão disse: ‘Há pão para todos se for dado a todos. Há pão para todos se ‌for tomado, não com uma mão que rouba, mas com uma ​mão que dá.’

‘Caprichos de ricos’

Na metade de sua viagem de dez dias pela África, o pontífice condenou esta semana as violações do direito internacional por parte das potências mundiais ‘neocoloniais’, acrescentando que ‘os caprichos dos ricos e poderosos’ ameaçam a paz.

Camarões, um produtor ⁠de petróleo e cacau, enfrenta graves ​desafios de segurança, incluindo um ​conflito em que milhares de pessoas foram mortas desde 2017.

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O país tem sido liderado há mais de quatro décadas pelo presidente ⁠Paul Biya, o chefe de Estado mais idoso do ​mundo, aos 93 anos. Sua reeleição em outubro do ano passado provocou protestos de opositores.

As forças de segurança mataram 48 civis durante os protestos, disseram fontes da ONU à Reuters em novembro, quase metade deles na região do ​Litoral, que inclui Douala.

Em um forte discurso na presença de Biya na quarta-feira, Leão pediu aos líderes políticos de Camarões que rompessem ‘as correntes da corrupção’ no país.

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As multidões ​que saudaram o papa em ⁠sua visita a Camarões foram entusiasmadas, alinhando-se nas ruas ao longo de suas rotas e vestindo tecidos coloridos com imagens de seu ⁠rosto.

O bispo Leopold Bayemi Matjei chamou a visita de Leão de ‘um momento de grande alegria’ e disse que esperava que isso significasse que Deus abençoaria Camarões.

‘Nosso país precisa de muitas bênçãos, uma bênção poderosa, para que a esperança volte a surgir’, disse o bispo, que lidera a Igreja em Obala, cerca de uma hora ao norte de Yaoundé.

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