Papa Francisco pode virar santo? Entenda como funciona o processo de canonização

Canonização depende de investigação pós-morte e comprovação de dois milagres; pontífice argentino ainda precisa passar por etapas formais

Marina Verenicz

Papa Francisco acenando da janela do Vaticano logo após ser eleito papa, em março de 2014
17/03/2013
REUTERS/Tony Gentile
Papa Francisco acenando da janela do Vaticano logo após ser eleito papa, em março de 2014 17/03/2013 REUTERS/Tony Gentile

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Com a morte do papa Francisco, aos 88 anos, nesta segunda-feira (21), surgiu uma pergunta comum entre fiéis e curiosos: o pontífice argentino poderá ser canonizado? A resposta, no entanto, depende de um processo rigoroso e que pode levar anos — ou até décadas.

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Embora Francisco tenha tido uma trajetória marcada por gestos de compaixão e inclusão, especialmente com os pobres, migrantes e excluídos, isso por si só não o torna automaticamente elegível à santidade. A canonização na Igreja Católica exige critérios objetivos e comprovação de dois milagres atribuídos à intercessão do candidato.

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Processo demorado e minucioso

A normativa atual para a canonização foi estabelecida em 1983 pelo papa João Paulo 2º. O primeiro passo só pode ser dado após a morte do candidato. Comunidades religiosas, dioceses ou fiéis podem solicitar a abertura do processo, desde que apresentem um postulador — responsável por reunir evidências de que o falecido viveu com virtudes cristãs heroicas.

Na fase inicial, o candidato recebe o título de “servo de Deus”. Em seguida, se não houver impedimentos e a fama de santidade for confirmada, ele pode ser reconhecido como “venerável”. Nessa etapa, ainda não há culto público permitido.

Milagres são exigência para beatificação e santidade

Para ser beatificado, é necessário o reconhecimento de um milagre atribuído à intercessão do candidato — normalmente curas inexplicáveis do ponto de vista médico. O caso passa por avaliação de uma junta científica e, depois, por uma comissão teológica. Com a beatificação, o culto passa a ser permitido em âmbito local ou regional.

A canonização exige a comprovação de um segundo milagre, com o mesmo rigor analítico. Somente após esse processo, o papa declara solenemente a santidade — normalmente durante uma cerimônia na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Francisco: fama de santidade, mas sem milagres reconhecidos

Francisco acumulou durante o pontificado atitudes que indicam o que a Igreja chama de “virtudes heroicas”: combate à desigualdade, defesa dos marginalizados, denúncias de abusos e preocupação com o meio ambiente. Ele também foi o primeiro papa a trazer com força o debate climático para dentro do Vaticano e a criticar o atual modelo econômico global por gerar injustiças.

No entanto, até o momento, não há milagres reconhecidos em vida ou atribuídos a ele após sua morte — etapa fundamental para o avanço de um processo de canonização.

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Especialistas dizem que, embora haja comoção popular, o Vaticano costuma esperar o “arrefecimento das emoções” antes de dar início a qualquer processo formal.