“Pai” da Lei Magnitsky critica uso contra Alexandre de Moraes: “Não se enquadra”

CEO da Hermitage Capital Management, William Browder foi autor da campanha que deu origem à lei, nomeada em homenagem ao seu advogado, Sergei Magnitsky, que foi preso, torturado e morto na Rússia

Paulo Barros

William F. Browder, CEO da Hermitage Capital Management, na Reunião Anual de 2011 do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, 27 de janeiro de 2011. (Foto: Michael Wuertenberg/Fórum Econômico Mundial)
William F. Browder, CEO da Hermitage Capital Management, na Reunião Anual de 2011 do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, 27 de janeiro de 2011. (Foto: Michael Wuertenberg/Fórum Econômico Mundial)

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O investidor britânico William Browder, responsável por liderar a campanha global que resultou na aprovação da Lei Magnitsky nos Estados Unidos, criticou na quarta-feira (30) a aplicação da medida pelo governo Donald Trump contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

“Passei anos lutando pela aprovação da Lei Magnitsky para acabar com a impunidade contra violadores graves dos direitos humanos e cleptocratas. Pelo que sei, o juiz brasileiro Moraes não se enquadra em nenhuma dessas categorias”, escreveu Browder no X.

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A declaração ocorreu horas após o Departamento do Tesouro dos EUA anunciar sanções contra Moraes, com base no programa Global Magnitsky, que prevê bloqueio de bens e restrições de transações para estrangeiros acusados de abusos de direitos humanos ou corrupção em larga escala.

Browder, CEO da Hermitage Capital Management, foi o maior investidor estrangeiro na Rússia até 2005, quando foi expulso do país após denunciar corrupção em empresas estatais, incluindo a gigante de energia Gazprom. Seu advogado, Sergei Magnitsky, descobriu em 2008 um esquema de fraude fiscal de US$ 230 milhões cometido por autoridades russas e acabou preso, torturado e morto na prisão em 2009.

O caso inspirou a Lei Sergei Magnitsky, sancionada pelo então presidente Barack Obama em 2012, inicialmente restrita a cidadãos russos. Em 2016, a legislação foi ampliada para alcance global, passando a permitir sanções contra estrangeiros de qualquer país.

Segundo Browder, a intenção original da lei é punir abusadores sistemáticos de direitos humanos e altos funcionários corruptos, critérios que, em sua avaliação, não se aplicam ao caso de Moraes.

Leia mais: Moraes é primeira autoridade de um país democrático a ser enquadrada na Lei Magnitsky

A sanção ao ministro do STF faz parte de uma ofensiva mais ampla do governo Trump contra autoridades brasileiras, no contexto das acusações de “perseguição política” ao ex-presidente Jair Bolsonaro, julgado por orquestrar uma tentativa de golpe de Estado que culminou nos atos do dia 8 de janeiro de 2023.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)