OpenAI e Sam Altman são processados em caso que envolve suicídio de um adolescente

Adam Raine, de 16 anos, morreu em 11 de abril na Califórnia após conversar por meses sobre suicídio com o ChatGPT

Reuters

FOTO DE ARQUIVO: Sam Altman, CEO da OpenAI, apoiada pela Microsoft e criadora do ChatGPT, fala durante palestra na Universidade de Tel Aviv, em Tel Aviv, Israel, em 5 de junho de 2023. REUTERS/Amir Cohen/FOTO DE ARQUIVO
FOTO DE ARQUIVO: Sam Altman, CEO da OpenAI, apoiada pela Microsoft e criadora do ChatGPT, fala durante palestra na Universidade de Tel Aviv, em Tel Aviv, Israel, em 5 de junho de 2023. REUTERS/Amir Cohen/FOTO DE ARQUIVO

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Por Jody Godoy

(Reuters) – Os pais de um adolescente que se suicidou após o ChatGPT o orientar sobre métodos de autoagressão processaram nesta terça-feira a OpenAI e seu presidente-executivo, Sam Altman, alegando que a empresa priorizou o lucro em detrimento da segurança ao lançar a versão GPT-4o de seu chatbot no ano passado.

Adam Raine, de 16 anos, morreu em 11 de abril após conversar por meses sobre suicídio com o ChatGPT, de acordo com a ação judicial apresentada pelos pais de Raine no tribunal estadual de San Francisco.

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Os responsáveis alegam que o chatbot validou os pensamentos suicidas de Raine, forneceu informações detalhadas sobre métodos letais de automutilação e o instruiu sobre como roubar álcool do armário de bebidas de seus pais e esconder evidências de uma tentativa fracassada de suicídio. O ChatGPT até se ofereceu para redigir uma nota de suicídio, disseram os pais, Matthew e Maria Raine, no processo.

A ação judicial quer responsabilizar a OpenAI por homicídio culposo e violações das leis de segurança de produtos, além de buscar indenizações monetárias não especificadas.
Um porta-voz da OpenAI disse que a empresa está triste pelo falecimento de Raine e que o ChatGPT possui salvaguardas, como direcionar pessoas para linhas de apoio em situações de crise.

“Embora essas proteções funcionem melhor em trocas curtas e comuns, aprendemos ao longo do tempo que elas podem se tornar menos confiáveis em interações longas, nas quais partes do treinamento de segurança do modelo podem se degradar”, disse o porta-voz, acrescentando que a OpenAI vai aprimorar de forma contínua suas proteções.
A OpenAI não comentou especificamente sobre as alegações feitas na ação judicial.

Em uma publicação de blog, a OpenAI mencionou que está planejando implementar controles parentais e explorar formas de conectar usuários em crise a recursos do mundo real. Isso inclui a potencial criação de uma rede de profissionais licenciados que possam responder por meio do próprio ChatGPT.

A OpenAI lançou o GPT-4o em maio de 2024 buscando se manter na vanguarda da tecnologia de IA. No processo, a família alegou que a empresa estava ciente de que características como lembrar interações passadas, imitar empatia humana e oferecer validação excessiva poderiam representar riscos para usuários vulneráveis na ausência de salvaguardas, mas lançou o produto mesmo assim.

“Essa decisão teve dois resultados: a avaliação da OpenAI saltou de US$86 bilhões para US$300 bilhões, e Adam Raine morreu por suicídio”, disseram os Raines.

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A ação judicial também solicita que a OpenAI implemente medidas para verificar a idade dos usuários do ChatGPT, recuse perguntas relacionadas a métodos de automutilação e alerte os usuários sobre os riscos de dependência psicológica.