ONU coloca Israel e Rússia em lista de violência sexual em zonas de conflito

A medida levou o Ministério das Relações Exteriores de Israel a dizer que cortaria todos os laços com o secretário-geral da ONU, António Guterres

Reuters

Secretário-geral da ONU, António Guterres, em Nice, na França 10/06/2025 REUTERS/Manon Cruz
Secretário-geral da ONU, António Guterres, em Nice, na França 10/06/2025 REUTERS/Manon Cruz

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A Organização das Nações Unidas incluiu nesta sexta-feira Israel e Rússia ⁠em uma lista negra da ONU de países suspeitos de cometer violência sexual em ‌zonas de conflito, uma medida que levou o Ministério das Relações Exteriores de Israel a dizer que cortaria todos os laços com o secretário-geral da ONU, António Guterres.

O relatório anual de ‌Guterres para o Conselho de Segurança da ONU sobre violência sexual relacionada a conflitos vai um passo além do ano passado, quando ele colocou Israel e Rússia ‘em alerta’ de que poderiam ser adicionados à lista de partes ‘credivelmente suspeitas de cometer ou ser responsáveis por padrões de estupro ou outras formas de violência sexual’.

O mais recente relatório faz isso e contém descrições angustiantes de abusos ⁠nas ‌mãos das Forças Armadas e de segurança israelenses e russas.

Inimigo de Israel, o Hamas, cujo ⁠ataque de 7 de outubro de 2023 ao sul de Israel desencadeou a guerra em Gaza, já estava na lista e, em uma postagem no X, na quinta-feira, o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, disse que classificar Israel com o grupo militante marcaria um ‘novo fundo do poço’.

‘Esta é uma decisão política! Desconectada dos fatos e da ​realidade!’, afirmou Danon em outra postagem da missão israelense na ONU, que disse que ele foi informado sobre isso durante uma ligação telefônica com Guterres.

A missão da Rússia na ​ONU não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre o relatório, que o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, saudou em uma postagem no X.

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Danos à reputação

A inclusão na lista não acarreta automaticamente medidas punitivas específicas, como sanções, embora a nomeação e a vergonha pública possam causar danos significativos à reputação dos Estados envolvidos, e aqueles que são ‌repetidamente listados são impedidos de participar das operações de manutenção ​da paz da ONU.

Danon disse que Israel respondeu detalhadamente a cada alegação e convidou representantes da ONU para visitar e examinar a situação, mas que eles optaram por não fazê-lo.

‘Dado que António Guterres optou por violar todos os ⁠padrões de honestidade, integridade e profissionalismo, ​Israel decidiu cortar todos ​os laços com o gabinete do secretário-geral e aguardará até que um novo secretário-geral da ONU seja nomeado’, publicou o ⁠Ministério das Relações Exteriores de Israel no X.

Um novo ​secretário-geral da ONU deve ser nomeado ainda este ano.

A compiladora do relatório, Pramila Patten, representante especial de Guterres para a violência sexual em conflitos, confirmou em uma coletiva de imprensa que houve um convite de ​Israel, mas também se referiu a discordâncias sobre o escopo da visita e questões relacionadas de acesso e cooperação, e disse que, em última análise, teve ​que ser suspensa devido à ⁠guerra em Gaza.

Ela disse que os casos de violência sexual relacionados a conflitos verificados pelas Nações Unidas em todo o mundo ⁠aumentaram em mais de 100% em 2025 em relação a 2024 e chamou isso de uma tendência muito perturbadora que ainda era apenas a ‘ponta do iceberg’.

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‘Esse número pode ser atribuído ao fato de que estamos passando por um momento em que temos um número recorde de conflitos extremamente violentos e ao fato de que os agressores estão se sentindo encorajados por um contexto de impunidade’, declarou ​ela.