OMS pede cessar-fogo no Congo para conter Ebola em meio ao aumento de casos

Combate em andamento tem provocado deslocamentos em massa, disseminando a doença

Reuters

Um integrante do grupo rebelde M23 monta guarda enquanto autoridades provinciais visitam o Laboratório Rodolphe Merieux, do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica (INRB), onde são testadas amostras de casos suspeitos de ebola, como parte da resposta à epidemia em Goma, província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo, em 19 de maio de 2026. REUTERS/Arlette Bashizi     TPX IMAGES OF THE DAY
Um integrante do grupo rebelde M23 monta guarda enquanto autoridades provinciais visitam o Laboratório Rodolphe Merieux, do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica (INRB), onde são testadas amostras de casos suspeitos de ebola, como parte da resposta à epidemia em Goma, província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo, em 19 de maio de 2026. REUTERS/Arlette Bashizi TPX IMAGES OF THE DAY

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GENEBRA/DACAR, 27 Mai (Reuters) – O chefe da ⁠Organização Mundial da Saúde pediu nesta quarta-feira ⁠um cessar-fogo no leste da República Democrática do Congo ‌para conter um surto de Ebola, dizendo que os combates em andamento estão provocando deslocamentos em massa e disseminando a doença ‌em campos superlotados.

A cepa Bundibugyo do Ebola, para a qual não há vacina ou tratamento aprovado, foi declarada uma emergência de preocupação internacional pela Organização Mundial da Saúde neste mês e os casos estão aumentando drasticamente.

‘O leste da RDC enfrenta agora uma colisão ⁠catastrófica ‌de doenças e conflitos, com o surto de Ebola na província ⁠de Ituri ultrapassando a resposta’, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que deve viajar para a região nesta semana.

‘Não podemos construir a confiança da comunidade ou isolar os doentes enquanto as bombas estão caindo. Pedimos a todas ​as partes em conflito que concordem com um cessar-fogo imediato para conter esse surto’, afirmou ele no X.

Até o momento, ​foram registrados mais de 900 casos suspeitos e mais de 200 mortes suspeitas em três províncias do leste do Congo, incluindo a província de Kivu do Norte, controlada pelos rebeldes M23, apoiados por Ruanda, e a província de Kivu do Sul, ‌controlada pelo grupo rebelde Alliance Fleuve Congo.

O ​grupo de ajuda Save the Children disse na quarta-feira que um quarto das mortes confirmadas são de crianças, pedindo um aumento nas medidas de prevenção de infecções.

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Os ⁠combates continuaram no ​leste do Congo, ​apesar dos esforços de mediação liderados pelos Estados Unidos e outros, e milhões de ⁠pessoas estão deslocadas. A agência de ​refugiados da ONU afirmou que os locais de trânsito e recepção na região do Nilo Ocidental, em Uganda, que faz fronteira com o ​Congo, estão com mais do que o dobro da capacidade, segundo um documento.

Os grupos de ajuda humanitária estão enviando ​equipes e equipamentos ⁠para o leste do Congo, mas os ataques a médicos devido à desconfiança da ⁠comunidade têm dificultado os esforços, segundo eles. Até o momento, os doadores prometeram cerca de US$500 milhões para ajudar com o surto, mas nem tudo foi desembolsado, de acordo com as autoridades de saúde.