Oito países de maioria muçulmana condenam nova lei de pena de morte de Israel

Lei torna a ‌morte por enforcamento uma sentença padrão para palestinos condenados em tribunais militares

Reuters

30 de março de 2026 - Mulher toca o caixão carregado por soldados do sargento israelense Liran Ben Zion, morto em conflito no sul do Líbano. Foto: REUTERS/Ronen Zvulun
30 de março de 2026 - Mulher toca o caixão carregado por soldados do sargento israelense Liran Ben Zion, morto em conflito no sul do Líbano. Foto: REUTERS/Ronen Zvulun

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ISLAMABAD/CABUL, 2 Abr (Reuters) – Oito países ⁠de maioria muçulmana ‘condenaram veementemente’ a iniciativa ⁠de Israel de aprovar uma lei que torna a ‌morte por enforcamento uma sentença padrão para palestinos condenados em tribunais militares por ataques mortais, segundo uma declaração ‌conjunta divulgada pelo Paquistão na quinta-feira.

A lei, aprovada pelo Parlamento de Israel na segunda-feira, será aplicada aos israelenses condenados por assassinato cujos ataques tenham como objetivo ‘acabar com a existência de Israel’, o que significa que a pena de ⁠morte ‌seria aplicada aos palestinos, mas não aos judeus israelenses ⁠que cometeram crimes semelhantes, segundo os críticos.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, condenou a legislação como uma violação da lei internacional e uma tentativa frustrada de intimidar os palestinos.

Paquistão, Turquia, Egito, Indonésia, Jordânia, Catar, Arábia ​Saudita e Emirados Árabes Unidos disseram que a lei constitui uma ‘escalada perigosa’ e enfatizaram a ‘necessidade urgente de se ​abster de medidas’ que possam inflamar ainda mais as tensões, informou o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão.

‘Eles enfatizaram a importância de garantir a responsabilidade e pediram esforços internacionais reforçados para manter a estabilidade e ‌evitar mais deterioração’, disse.

O governo do Taliban, ​no vizinho Afeganistão, também classificou a legislação como uma ‘continuação da opressão’, conclamando ‘organizações internacionais e países influentes a tomar medidas imediatas e práticas para ⁠evitar tais ações’.

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A ​lei atraiu críticas ​semelhantes dos aliados ocidentais de Israel, em um momento em que o ⁠país já está sob escrutínio ​pela crescente violência dos colonos judeus contra os palestinos na Cisjordânia ocupada.

União Europeia e Alemanha expressaram preocupação com a medida, que ​também teve a oposição do Canadá.

Os defensores da lei argumentam que a pena de morte ​impedirá que os palestinos ⁠realizem ataques mortais contra israelenses ou tentem sequestros com o objetivo de ⁠afetar os acordos de troca de palestinos presos em prisões israelenses.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em um esforço para evitar reações adversas, pediu que alguns elementos da legislação fossem suavizados, informou a mídia israelense.