O que se sabe sobre a morte de técnica de instituto antipeste na Rússia

Caso levou à quarentena de um hospital e à vigilância de quem entrou em contato com Darya Shipilova

•

Publicidade

A morte de Darya Shipilova, técnica de laboratório de 28 anos do Instituto de Pesquisa Antipeste da Sibéria e do Extremo Oriente, em Irkutsk, levou à quarentena de um hospital e à vigilância médica das pessoas que tiveram contato com ela.

A Rospotrebnadzor, órgão de vigilância sanitária da Rússia, descartou no domingo (4) que a causa tenha sido peste, versão que circulou na imprensa russa e chegou a ser repetida por um governador.

A agência registrou o diagnóstico como “pneumonia de etiologia não estabelecida”. A origem da infecção que matou a funcionária, porém, ainda não foi identificada.

O que aconteceu

Shipilova deu entrada na terça-feira (29) no hospital distrital de Shelekhov, cidade vizinha a Irkutsk, com sintomas de pneumonia, tendo falecido na sexta-feira (2).

Na noite de quinta-feira (1º), relatos de que a ala de internação do hospital havia sido fechada começaram a circular nas redes sociais. Logo em seguida, o prefeito do distrito, Maksim Modin, confirmou a quarentena, com suspensão de admissões e altas em vários setores. O ambulatório continuou funcionando.

Também na sexta-feira, o governador de Irkutsk, Igor Kobzev, reuniu a comissão sanitária e antiepidêmica da região com a chefe da Rospotrebnadzor, Anna Popova, que viajou para o encontro. Kobzev falou em suspeita de uma “infecção especialmente perigosa”, sem nomear a doença, e disse que os contatos identificados estavam sob observação médica, sem sinais de doença e com exames negativos.

Continua depois da publicidade

De onde veio a hipótese de peste

A suspeita partiu da imprensa russa. O site Lyudi Baikala, que identificou a vítima, relatou que ela teria quebrado um tubo de ensaio com o agente da peste pneumônica. O canal Mash, no Telegram, e a emissora REN TV também atribuíram a morte à doença.

A peste é causada pela bactéria Yersinia pestis. Na forma pneumônica, atinge os pulmões e pode passar de pessoa para pessoa por gotículas respiratórias.

O governador da vizinha Buriácia, Alexey Tsydenov, foi um nome de peso que associou publicamente a morte à peste. Ele escreveu que, segundo dados da Rospotrebnadzor e do governo regional, “a mulher que morreu de peste na região de Irkutsk não esteve na Buriácia”. Depois, alterou a publicação para dizer que ela “pode ter morrido de peste”.

Continua depois da publicidade

O que foi investigado

Segundo a Rospotrebnadzor, uma comissão de controle de biossegurança examinou o trabalho com patógenos no instituto, e um grupo de especialistas enviado por Popova confirmou as conclusões. De acordo com a agência, “não foram identificadas situações de emergência no trabalho com microrganismos patogênicos”, o que contradiz a versão do tubo de ensaio quebrado.

A agência afirmou ainda que as análises não detectaram microrganismos ligados à atividade profissional de Shipilova, classificando como estável a situação sanitária e epidemiológica na região de Irkutsk, na capital regional e em Shelekhov.

O que ainda falta saber

A nota oficial não informa qual agente causou a pneumonia nem como Shipilova adoeceu. A quarentena no hospital de Shelekhov continuou em vigor depois do comunicado, segundo veículos russos.

Continua depois da publicidade

Tampouco há informações oficiais sobre quantas pessoas seguem em observação. O jornal Izvestia e o site Lyudi Baikala falaram em cerca de 200 contatos identificados.

O último caso de peste em humanos registrado na Rússia ocorreu em 2016, quando um menino de 10 anos adoeceu na República de Altai.