O que as pesquisas indicam sobre as midterms nos EUA e para o governo Trump

As midterms acontecem na metade do mandato presidencial e renovam as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado

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O Partido Republicano chega às eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, em 3 de novembro, atrás nas pesquisas e com risco de perder o controle do Congresso. Os democratas lideram por 7 a 12 pontos o chamado voto genérico, que mede a preferência partidária para o Legislativo sem citar candidatos.

As midterms, como são conhecidas, acontecem na metade do mandato presidencial e renovam as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. Atualmente, os republicanos têm 53 das 100 cadeiras do Senado e a maioria estreita na Câmara. 

Democratas favoritos na Câmara

Os modelos de previsão apontam os democratas como favoritos para retomar a Câmara. Uma projeção de pesquisadores da Universidade Cornell, divulgada em setembro, apontou que o partido tem 80% de chance de conquistar a maioria, com cerca de 226 cadeiras, contra 209 dos republicanos.

No Senado, a disputa é mais apertada. Os democratas precisam de um ganho de quatro cadeiras, e o boletim Cook Political Reports estimou, no início de outubro, um avanço de duas a seis. A principal indefinição se dá em Kansas, estado tradicionalmente republicano. A sigla do presidente Donald Trump espera vencer em Michigan e manter a cadeira do Maine.

Inflação em foco

A aprovação de Trump tem atingido mínimas históricas. Segundo pesquisa do jornal The Washington Post e da rede ABC, realizada pelo instituto Ipsos, o republicano aparece com 33% de aprovação, e sete em cada dez eleitores americanos se queixam de que o preço da gasolina está excessivamente alto no país. 

Trump, que voltou ao poder encampando o discurso de que o custo de vida nos EUA estava alto por conta da política econômica dos democratas, agora vê na economia atual a principal dificuldade de seu segundo mandato. 

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Os preços ao consumidor subiram 3,7% em 12 meses até setembro, puxados pelos combustíveis, que dispararam depois da guerra entre EUA e Irã iniciada em fevereiro, que resultou no bloqueio do Estreito de Ormuz. 

Derrota pode travar o mandato

Com maioria na Câmara, a oposição passaria a controlar a pauta de votação, o Orçamento e as comissões de investigação, além de poder abrir processos de impeachment por maioria simples.

A destituição exige dois terços do Senado, Casa que também confirma juízes e integrantes do gabinete. Trump já disse esperar um processo, caso perca. “Eles vão encontrar um motivo para abrir um impeachment contra mim”, disse o mandatário no início do ano.

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Dúvida sobre o sistema eleitoral

No início do ano, Trump chegou a dizer que não pretendia cancelar a eleição no país, contestando o fato de que a imprensa americana estaria definindo-o como “ditador”. Logo em seguida, porém, o republicano afirmou à agência Reuters que, “pensando bem, nem deveríamos ter uma eleição”. A Casa Branca entrou em campo para dizer que o presidente estava “brincando”.

Em fevereiro, Trump propôs que os republicanos “deveriam nacionalizar a votação”, embora a Constituição americana atribua aos estados a condução das eleições. Já em março, Trump assinou uma ordem executiva com novas exigências para o voto por correio. Em setembro, porém, a Suprema Corte dos EUA barrou a decisão da Casa Branca. 

O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, classificou a proposta de nacionalizar a votação como “escandalosamente ilegal”. Na sexta-feira (16), os senadores democratas Alex Padilla, Dick Durbin e Sheldon Whitehouse pediram ao Departamento de Justiça o compromisso de não apreender cédulas nem urnas. 

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Os legisladores afirmaram que uma ação capaz de comprometer uma eleição seria “uma das graves violações constitucionais imagináveis”.