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O jornal The New York Times publicou um editorial em que acusa o presidente Donald Trump de corroer o Estado de Direito ao empregar o Departamento de Justiça como ferramenta de retaliação política em seu segundo mandato.
Segundo o texto, Trump intensificou essa postura ao se aproximar do aniversário de seu retorno ao poder, em 20 de janeiro. O jornal afirma que o presidente passou a usar os instrumentos do Departamento de Justiça como extensão de seus interesses pessoais, num movimento que incluiu a abertura do que classificou como “uma investigação criminal fabricada” contra o presidente do Federal Reserve, além de ações contra a imprensa e a criação de uma unidade de combate a fraudes sob controle direto da Casa Branca.

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Ao descrever a relação do presidente com o sistema de aplicação da lei, o NYT sustenta que Trump não apenas admite esse uso político, como o faz de forma deliberada. Para o jornal, ele “não tenta esconder seu uso dos poderes de aplicação da lei para vingança” e chega a “se gloriar disso”. O editorial cita reportagem do Wall Street Journal segundo a qual Trump cobrou pessoalmente promotores federais por maior rapidez na punição de críticos e adversários.
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O texto destaca que, na avaliação do jornal, essas ações têm efeitos diretos sobre a economia e as instituições. A pressão sobre o Federal Reserve, afirma o editorial, compromete a independência da autoridade monetária e mina a confiança econômica. Nesse contexto, o NYT menciona que, no domingo passado, o presidente do Fed, Jerome Powell, informou ter sido alvo de intimações em uma investigação criminal relacionada aos custos de reformas da sede da instituição, que ele classificou como infundada. Para o jornal, o episódio serve como sinal de intimidação. “O alvo em Powell serve para lembrar a seu sucessor que há um custo para a independência”, afirma o texto.
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O editorial também aborda impactos sobre a liberdade de imprensa, citando a busca realizada na casa da repórter Hannah Natanson e a apreensão de seu telefone em uma investigação sobre vazamentos. Segundo o NYT, a medida rompe com práticas tradicionais e tende a intimidar o jornalismo crítico.
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Outro episódio destacado é a morte de Renee Good, baleada por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega durante um protesto em Minneapolis, em 7 de janeiro. O jornal afirma que houve impedimento de socorro imediato, divulgação de uma versão enganosa do ocorrido pelo presidente e restrições à atuação de investigadores estaduais, seguidas da abertura de uma investigação contra a vítima por ativismo político.
Para o NYT, esses episódios resultaram em uma perda generalizada de confiança no Departamento de Justiça. O editorial afirma que mais de 200 advogados de carreira foram demitidos e milhares deixaram o órgão, em um ambiente descrito por uma ex-integrante como a transformação da pasta no “escritório de advocacia pessoal de Trump”.
Ao tratar do cenário institucional, o jornal afirma que, um ano após o início do segundo mandato, os Estados Unidos correm o risco de “perder uma característica central de nossa democracia: que somos um país governado por leis, não por um único homem”.