Novo método de IA ajuda a identificar quais dinossauros deixaram quais pegadas

IA utiliza algoritmos para reduzir interpretações subjetivas de fósseis e mapear o comportamento de animais que viveram há 150 milhões de anos

Reuters

Paleontólogo Sebastián Apesteguia mede pegada de dinossauro na Bolívia 21/7/2016 REUTERS/David Mercado
Paleontólogo Sebastián Apesteguia mede pegada de dinossauro na Bolívia 21/7/2016 REUTERS/David Mercado

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WASHINGTON, 6 Fev (Reuters) – As pegadas estão ‍entre os fósseis de dinossauros mais comuns. Às vezes, os ⁠cientistas encontram uma única pegada solitária. Outras vezes, eles se deparam com ‍uma confusão caótica de pegadas que lembram uma pista de dança, uma espécie de discoteca de dinossauros. Mas identificar qual dinossauro deixou qual pegada tem sido notoriamente ‌difícil.

Os pesquisadores desenvolveram agora um método que utiliza inteligência artificial para ajudar a identificar o tipo de dinossauro responsável pelas pegadas, com base em oito características diferentes de uma determinada pegada.

“Isso é importante porque fornece uma maneira objetiva de classificar e comparar pegadas, reduzindo a dependência da interpretação humana subjetiva”, disse o físico Gregor Hartmann, do centro de ‌pesquisa Helmholtz-Zentrum Berlin, na Alemanha, principal autor da pesquisa publicada na revista científica Proceedings ‌of the National Academy of Sciences.

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“Combinar pegadas com seus criadores é um grande desafio, e os paleontólogos vêm discutindo sobre isso há gerações”, afirmou o paleontólogo da Universidade de Edimburgo e autor sênior do estudo, Steve Brusatte.

Os dinossauros deixaram para trás vários tipos de restos fossilizados, incluindo ossos, dentes e garras, impressões ‌de sua pele, fezes e vômito, restos não digeridos em seu estômago, cascas de ovos e restos de ninhos. Mas as pegadas costumam ser mais abundantes ​e podem revelar muitas informações aos cientistas, incluindo o tipo de ambiente em que um dinossauro vivia e, quando outras pegadas estão presentes, os tipos de animais que compartilhavam um ecossistema.

O novo método foi aperfeiçoado com uma análise pelo algoritmo de 1.974 silhuetas de pegadas que abrangem 150 milhões de anos da história dos dinossauros, com a IA discernindo oito características que explicavam a variação nas formas dessas pegadas.

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Essas características incluíram: carga e forma geral, refletindo a área de contato do pé com o solo; a posição da carga; a distância entre os dedos; como os dedos se ​ligam ao pé; a posição ⁠do calcanhar; a carga ⁠do calcanhar; a ênfase relativa dos dedos em relação ao calcanhar; e a discrepância de forma entre os ‌lados esquerdo e direito da pegada.

Muitas das pegadas já haviam sido identificadas com segurança por especialistas como pertencentes a um tipo específico de dinossauro. Depois que o algoritmo identificou as características de diferenciação, os especialistas mapearam como elas ‍correspondiam aos vários tipos de dinossauros que se acredita terem feito as pegadas, a fim de orientar a identificação de pegadas futuras.

“O problema é ​que identificar quem fez ‌uma pegada fossilizada é inerentemente incerto”, disse Hartmann.

“A forma de uma pegada depende de muitos fatores além do próprio ‍animal, incluindo o que o dinossauro estava fazendo naquele momento, como caminhar, correr, pular ou até mesmo nadar, a umidade e o tipo do substrato (superfície do solo), como a pegada foi enterrada por sedimentos e como foi alterada pela erosão ao longo de milhões de anos. Como resultado, o mesmo dinossauro pode deixar pegadas com aparências muito diferentes”, acrescentou Hartmann.