Negociações de paz devem incluir concessões da Rússia, não da Ucrânia, diz UE

Chefe de Relações Exteriores da UE critica plano de Trump por não exigir compromissos de Moscou e alerta contra limitações às Forças Armadas da Ucrânia

Estadão Conteúdo

A Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança e Vice-Presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, fala aos soldados durante uma visita à Base da EUFOR (Forças da União Europeia na Bósnia e Herzegovina) em Sarajevo, Bósnia e Herzegovina, em 3 de novembro de 2025. REUTERS/Amel Emric
A Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança e Vice-Presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, fala aos soldados durante uma visita à Base da EUFOR (Forças da União Europeia na Bósnia e Herzegovina) em Sarajevo, Bósnia e Herzegovina, em 3 de novembro de 2025. REUTERS/Amel Emric

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A chefe de Relações Exteriores e Segurança da União Europeia (UE), Kaja Kallas, pontuou nesta segunda-feira, 24, que qualquer negociação de paz para a guerra na Ucrânia deve incluir concessões por parte da Rússia, e não apenas discussões sobre o que Kiev poderia abrir mão.

Em entrevista à CNN, ela destacou que o debate em torno do plano de 28 pontos apresentado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, não pode “tirar o foco de quem não quer a paz”, afirmando que “não ouvimos a Rússia fazer qualquer concessão”.

Kallas insistiu que o centro das conversas deve ser como impedir novas agressões russas e como garantir que Moscou ponha fim ao conflito.

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Para ela, discutir apenas limitações à Ucrânia distorce a natureza da guerra: “Há uma vítima e um agressor nesta guerra”, disse, reforçando que Kiev não realizou invasões e não deveria ser alvo das principais exigências.

A diplomata também questionou a ausência de obrigações impostas à Rússia no plano de Washington. “Quais são as exigências para a Rússia?”, indagou, lembrando que nenhuma das propostas apresentadas demanda que Moscou cumpra compromissos internacionais que, segundo ela, já descumpriu.

Kallas alertou ainda para pontos do documento que sugerem estabelecer limites ao tamanho das Forças Armadas ucranianas.

Segundo ela, impor restrições ao país atacado significaria, na prática, “dar à Rússia o que quer”, ao passo que o objetivo deveria ser assegurar mecanismos que impeçam novas ofensivas.