Navios ligados ao Irã e à China voltam a cruzar o Estreito de Ormuz

Tráfego ainda é limitado após ataques a embarcações e escalada da guerra no Golfo

Bloomberg

Um navio-tanque de petróleo bruto (Foto: Ali Mohammadi/Bloomberg)
Um navio-tanque de petróleo bruto (Foto: Ali Mohammadi/Bloomberg)

Enquanto o transporte marítimo ocidental permanece em grande parte suspenso no Estreito de Ormuz, observações das últimas 24 horas mostram um leve aumento no tráfego ligado ao Irã, incluindo dois superpetroleiros sancionados do tipo VLCC.

Dados de rastreamento de embarcações compilados pela Bloomberg indicam que houve oito travessias comerciais na terça-feira e outras quatro identificadas no início da quarta-feira. A maioria das embarcações tinha vínculos com o Irã ou relações comerciais com a China.

O aumento discreto da atividade ocorre em meio à escalada das hostilidades na região. O navio cargueiro Mayuree Naree foi atingido por um projétil de origem desconhecida enquanto transitava pelo Estreito de Ormuz. Outro navio graneleiro que transmitia o sinal “China Owner&Crew” fez meia-volta e se afastou do estreito após o incidente, destacando os riscos elevados de segurança.

Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a destruição de embarcações iranianas usadas para colocação de minas.

Táticas de guerra eletrônica, como falsificação de sinais e interferência em sistemas de navegação, têm dificultado o monitoramento em tempo real do tráfego marítimo. Com várias embarcações optando por desligar os transponders AIS em áreas de alto risco, a precisão dos dados pode sofrer atrasos, o que deve levar a revisões posteriores no número real de travessias.

Dois superpetroleiros iranianos sancionados foram vistos saindo do Golfo Pérsico em direção à Ásia no início da quarta-feira. O calado das embarcações sugere que ambos estavam totalmente carregados.

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, até 13,7 milhões de barris de petróleo iraniano foram transportados pelo estreito, segundo a empresa Tankertrackers.com, especializada no rastreamento de navios por meio de imagens de satélite.

Na terça-feira, um comboio composto por cinco navios graneleiros, um porta-contêiner e um transportador de GLP — todos ligados ao Irã ou à China — deixou a região.

Um navio porta-contêiner associado ao Irã entrou no Golfo Pérsico na terça-feira e outro fez o mesmo na quarta-feira. Além disso, um graneleiro também entrou na região transmitindo o sinal “China Owner All Chinese”.

Apesar dessas travessias pontuais, a maior parte da frota comercial permanece parada em ambos os lados do Estreito de Ormuz até que a segurança marítima seja restabelecida. O tráfego no canal foi praticamente interrompido após ataques a navios mercantes durante a retaliação iraniana aos bombardeios realizados por Estados Unidos e Israel.

A atividade de mísseis e drones continua representando um risco crítico para embarcações que navegam nas proximidades.

Como embarcações podem navegar sem sinais AIS até estarem bem afastadas de Ormuz, os dados de posicionamento foram compilados em uma área ampla que inclui o Golfo de Omã, o Mar Arábico e o Mar Vermelho, com o objetivo de identificar navios que possam ter saído ou entrado no Golfo Pérsico.

Quando possíveis travessias são detectadas, os históricos de sinal são analisados para determinar se o movimento é real ou resultado de spoofing, técnica em que interferências eletrônicas podem falsificar a posição aparente de um navio.

Algumas travessias podem não ter sido detectadas caso os transponders das embarcações ainda não tenham sido reativados. Petroleiros ligados ao Irã frequentemente deixam o Golfo Pérsico sem transmitir sinais AIS até chegarem ao Estreito de Malaca, cerca de dez dias após passarem por Fujairah.

Outras embarcações podem estar adotando táticas semelhantes e só aparecerão nos sistemas de rastreamento vários dias depois.