Colômbia: candidato de direita De La Espriella vence pleito disputado por presidência

De La Espriella tinha 49,66% dos votos, enquanto seu rival, o senador Iván Cepeda, ficou atrás por cerca de ‌250 mil votos

Estadão Conteúdo

Candidato Abelardo De La Espriella da Colômbia Foto REUTERS - Jair Coll
Candidato Abelardo De La Espriella da Colômbia Foto REUTERS - Jair Coll

Publicidade

BOGOTÁ, ⁠22 Jun (Reuters) – O candidato de direita colombiano Abelardo De La Espriella ⁠conquistou uma vitória apertada nas eleições presidenciais de domingo, segundo contagem preliminar dos votos, com os ‌eleitores apostando em sua promessa — apoiada por Donald Trump — de combate ao crime e fortalecimento da economia.

De La Espriella tinha 49,66% dos votos, enquanto seu rival, o senador Iván Cepeda, ficou atrás por cerca de ‌250 mil votos, com 48,70%, de acordo com a apuração do Registro Civil Nacional de pouco menos de 100% dos votos no segundo turno.

Cepeda, de 63 anos, havia prometido manter as políticas do presidente Gustavo Petro, um ex-rebelde e o primeiro presidente de esquerda do país, incluindo o pagamento de aposentadorias estatais para os pobres, reformas trabalhistas apoiadas pelos sindicatos, uma moratória sobre novos projetos de petróleo e a continuidade das negociações de paz com ⁠grupos ‌armados.

De La Espriella culpou Petro pelos problemas econômicos e de segurança do país, incluindo a expansão dos grupos ⁠armados, e prometeu encerrar as negociações com rebeldes e grupos criminosos, ao mesmo tempo em que impulsionaria o setor de petróleo e gás, reduziria impostos e diminuiria o tamanho do Estado em até 40%. Ele afirmou, no entanto, que preservará o aumento de 23% do salário mínimo promovido por Petro, juntamente com outras medidas sociais populares.

“Governarei para todos os colombianos, tanto para aqueles que votaram em mim ​quanto para aqueles que escolheram o outro candidato”, disse De La Espriella a uma multidão de apoiadores reunidos na cidade litorânea de Barranquilla, prometendo respeitar os direitos de todos os cidadãos.

Mais cedo, ele comemorou ​uma ligação de parabéns do presidente dos EUA, Donald Trump, que já havia declarado seu apoio. De La Espriella também é cidadão dos EUA e da Itália e possui residências em vários países.

“É uma vitória para a Colômbia — uma mudança após quatro anos perdidos, sem um rumo claro”, declarou Viviana Olivos, uma engenheira mecânica de 46 anos que participou da comemoração.

CONGRESSO

O resultado acirrado da disputa, com menos de um ponto percentual ‌separando os dois candidatos, provavelmente forçará De La Espriella a suavizar algumas ​de suas propostas para obter apoio de um Congresso dividido. O partido Pacto Histórico, de Cepeda, tem mais cadeiras do que qualquer outro partido tanto no Senado quanto na Câmara, embora nenhum partido tenha maioria.

Continua depois da publicidade

De La Espriella, um advogado sem experiência política prévia, também ⁠terá que lidar com a elevada dívida ​pública. Ele se apresentou como ​empresário, mas uma investigação realizada pelo veículo local La Silla Vacia revelou que muitos de seus negócios foram dissolvidos, estão endividados e tiveram ⁠prejuízo geral em 2024, sendo que seu escritório de advocacia ​foi seu empreendimento mais lucrativo.

As principais associações empresariais, incluindo a Câmara de Comércio Colombo-Americana, a associação de mineração e a associação bancária, divulgaram comunicados parabenizando De La Espriella por sua vitória. Em bairros de classe alta e média em Bogotá ​e Medellín, apoiadores agitando bandeiras comemoraram, buzinavam e soltavam fogos de artifício.

Mais de 26,3 milhões de colombianos votaram, dos 41,4 milhões com direito a voto. Cerca de 427 mil eleitores entregaram ​cédulas em branco, o que geralmente ⁠é visto como um voto de protesto, segundo os dados da autoridade eleitoral.

Continua depois da publicidade

Cepeda disse a seus apoiadores em um evento em Bogotá que ⁠aguardaria uma verificação final, cédula por cédula, da contagem inicial, afirmando que sua campanha está contestando os resultados de cerca de 33 mil urnas, de um total de 122 mil. Seus apoiadores são uma força política significativa, acrescentou ele, e devem ter voz ativa nas negociações.