Ministra do Interior de Portugal renuncia após medidas adotadas na tempestade Kristin

Ela foi alvo de críticas dos ‌partidos da oposição e das comunidades locais sobre o que eles descrevem como uma resposta lenta e ineficaz

Reuters

Área inundada após a passagem das tempestades Kristin e Leonardo, na freguesia de Valada, em Cartaxo, Portugal, 8 de fevereiro de 2026. REUTERS/Pedro Nunes
Área inundada após a passagem das tempestades Kristin e Leonardo, na freguesia de Valada, em Cartaxo, Portugal, 8 de fevereiro de 2026. REUTERS/Pedro Nunes

Publicidade

LISBOA, 11 Fev (Reuters) – A ⁠ministra do Interior portuguesa, Maria Lúcia ⁠Amaral, renunciou ao cargo em meio a críticas dos ‌partidos da oposição e das comunidades locais sobre o que eles descrevem como uma resposta lenta e ineficaz das ‌autoridades à tempestade Kristin, há duas semanas.

O gabinete do presidente Marcelo Rebelo de Sousa anunciou na terça-feira à noite que ele aceitou a demissão da ministra a pedido do primeiro-ministro Luís Montenegro, depois de Amaral ter afirmado que ‘já ⁠não ‌tinha as condições pessoais e políticas necessárias para desempenhar ⁠suas funções’.

O gabinete do presidente informou que Montenegro assumirá temporariamente a pasta do Interior até que um sucessor seja nomeado.

Continua depois da publicidade

A tempestade Kristin atingiu o centro de Portugal continental na madrugada de 31 de janeiro, com ​ventos que atingiram 200 km/h e chuvas fortes que causaram danos generalizados a milhares de casas, fábricas ​e infraestruturas críticas, e mataram pelo menos seis pessoas.

O governo estima que serão necessários mais de 4 bilhões de euros (US$4,76 bilhões) para cobrir os custos diretos da reconstrução.

A renúncia de Amaral é a primeira desde que o ‌governo minoritário de centro-direita assumiu o ​poder há cerca de oito meses.

O líder do partido de extrema direita Chega, André Ventura, escreveu no X que a renúncia comprovou a ⁠incapacidade do governo ​de lidar com ​adversidades, acrescentando que Montenegro estava perdendo o controle do governo.

‘Quanto tempo levará para ⁠resolver os outros ‘erros de casting’ ​deste governo?’, questionou.

O líder do Partido Socialista, José Luís Carneiro, disse aos repórteres na segunda-feira à noite que Montenegro era ‘o primeiro ​responsável’ pelo fracasso do governo em responder às tempestades.

Continua depois da publicidade

Portugal e Espanha enfrentaram uma série de tempestades ​nas últimas semanas. ⁠Após a devastação causada pela tempestade Kristin, as tempestades sucessivas Leonardo e Marta ⁠também trouxeram chuvas fortes, ventos fortes, inundações e mais danos.

Portugal está agora sentindo os efeitos indiretos da tempestade Nils, que não deverá atingir diretamente o país, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

(Reportagem de Sergio ​Gonçalves)