Microsoft corta acesso do Exército de Israel a serviços de nuvem e IA

Decisão ocorre após revelações de que unidade militar usava Azure para vigiar palestinos

Marina Verenicz

Manifestantes exigem fim de oferecimento da plataforma Azure, da Microsoft, ao Exército de Israel, em Seattle, nos Estados Unidos, em 2024 - David Ryder - 21.mai.24/Reuters
Manifestantes exigem fim de oferecimento da plataforma Azure, da Microsoft, ao Exército de Israel, em Seattle, nos Estados Unidos, em 2024 - David Ryder - 21.mai.24/Reuters

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A Microsoft anunciou que encerrou o fornecimento de serviços de nuvem e inteligência artificial ao Exército de Israel, após denúncias de que a plataforma Azure vinha sendo utilizada para monitorar ligações de palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

A decisão foi comunicada por e-mail interno assinado por Brad Smith, presidente da companhia, e obtido pelo jornal britânico The Guardian.

No comunicado, Smith afirmou que a empresa desativou “uma série de serviços ligados a uma unidade do Ministério da Defesa de Israel” e reiterou que a Microsoft não fornece tecnologia que facilite “vigilância massiva de civis”. Segundo o Guardian, a diretriz já havia sido aplicada em outros países.

O corte atinge o braço de inteligência das Forças Armadas israelenses. O grupo teria usado uma área segregada da plataforma Azure, customizada para armazenar chamadas interceptadas por períodos mais longos e cruzar informações com apoio de ferramentas de IA.

O Guardian relata que o acesso a esse ambiente restrito foi cancelado após a publicação de uma investigação jornalística que expôs a cooperação entre a Microsoft e militares israelenses.

As reportagens apontaram que a tecnologia era usada para vigiar civis palestinos em meio ao conflito de Israel com o Hamas, que está prestes a completar dois anos.

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Dados migrados para outro provedor

Fontes ouvidas pelo jornal britânico disseram que o repositório de ligações monitoradas ficava em um data center da Microsoft na Holanda. Após a revelação, os dados teriam sido transferidos para a Amazon Web Services (AWS), serviço de nuvem da Amazon. A empresa não comentou o assunto.

A colaboração entre a Microsoft e a unidade militar israelense teria começado em 2021, após um encontro entre o então comandante da unidade, Yossi Sariel, e o CEO da Microsoft, Satya Nadella.