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Um manifestante escalou a fachada da embaixada do Irã em Londres e substituiu a bandeira oficial do país por um símbolo usado antes da Revolução Islâmica de 1979, durante um protesto realizado neste sábado (10). A ação ocorreu sob aplausos de centenas de manifestantes reunidos em frente ao prédio, próximo ao Hyde Park, segundo relatos publicados pela imprensa internacional, como o jornal britânico Mirror e a agência AFP.
Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram o homem subindo até uma varanda da embaixada e hasteando a bandeira do “Leão e do Sol”, associada ao período do Irã Imperial e hoje adotada por grupos de oposição ao regime islâmico. O símbolo é proibido no país e não representa uma ideologia política única, sendo usado por correntes seculares e monarquistas.

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A bandeira permaneceu no local por alguns minutos antes de ser retirada por um funcionário da embaixada, que acessou a sacada por dentro do prédio, sob vaias dos manifestantes, segundo testemunhas ouvidas pela AFP.
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A Polícia Metropolitana de Londres informou que mobilizou agentes adicionais para monitorar o protesto e proteger a embaixada iraniana, localizada na região de Kensington. Ao todo, viaturas da polícia territorial e da polícia regular foram deslocadas para o local, de acordo com o Mirror.
Duas pessoas foram presas, uma por invasão de propriedade agravada e agressão a um agente de emergência, e outra por invasão agravada. As autoridades também afirmaram estar à procura de um terceiro suspeito, segundo comunicado citado pela AFP.
O protesto em Londres ocorre em meio a uma nova onda de manifestações no Irã, iniciadas em 28 de dezembro, que já se espalharam por diversas regiões do país. De acordo com a agência Human Rights Activists News Agency, citada pelo Mirror, ao menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram detidas desde o início dos atos.
Manifestantes em Londres exibiam cartazes e entoavam slogans como “Irã Livre” e palavras de apoio a Reza Pahlavi, filho do último xá iraniano deposto em 1979. Em entrevista à AFP, uma manifestante afirmou que participa do ato para apoiar familiares no Irã e denunciou a repressão do regime, além do bloqueio à internet no país.
Segundo o Mirror, o governo iraniano teria restringido comunicações telefônicas e o acesso à internet, dificultando a obtenção de informações sobre a dimensão dos protestos, enquanto os Estados Unidos alertaram que podem reagir com força caso haja escalada da repressão.