Mais forte que Fukushima? Entenda a escala de terremotos japonesa “Shindo”

Escala usada no Japão e em Taiwan mede a intensidade do tremor, enquanto a usada internacionalmente é a Richter, que mede a magnitude; terremoto de hoje atingiu o "Shindo" 7, o mais alto

Roberto de Lira Agências de notícias

Uma placa danificada e caída do lado de fora de um restaurante após um terremoto com intensidade 7,1 atingir a província de Kumamoto, no sul do Japão - 28/07/2026 (Foto: Kyodo News/via REUTERS)
Uma placa danificada e caída do lado de fora de um restaurante após um terremoto com intensidade 7,1 atingir a província de Kumamoto, no sul do Japão - 28/07/2026 (Foto: Kyodo News/via REUTERS)

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O terremoto que atingiu a província de Kumamoto, no sul do Japão, nesta terça-feira, foi classificado preliminarmente no ponto mais alto da escala de medição da Agência Meteorológica do Japão (JMA, na sigla em inglês). Com o nível 7, ele teria tão potente quanto o tremor de março de 2011, em Fukushima, que gerou um tsunami e que causou quase 20 mil mortes.

Mas a escala usada (“Shindo”) no Japão é diferente da utilizada pelos especialistas do restante do mundo. O padrão internacional é o uso da escala de Richter, que mede a magnitude do tremor, ou seja, a quantidade de energia liberada no epicentro do terremoto. Essa escala pode chegar até 9,5 (isso aconteceu no Chile, em 1960).

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Japão e Taiwan, dois países muito atingidos por terremotos, medem a intensidade sísmica, que calcula o grau de tremor em um determinado ponto da superfície — quanto maior o número, mais forte é tremor.

O (“Shindo”) logo acima do epicentro normalmente será o mais alto, com o nível recuando conforme a distância aumenta do epicentro.

A escala de intensidade do Japão vai de zero a 7, com os níveis 5 e 6 subdivididos em “superior” e “inferior”. No nível 7, diz a agência meteorológica, é “impossível permanecer de pé.” Pessoas podem ser “lançadas pelo ar”, prédios de madeira podem desabar e até mesmo paredes de concreto armado podem desabar.

Houve apenas poucas ocasiões em que um nível 7 como o de hoje foi registrado: a tragédia de março de 2011, o terremoto de Kobe, em 1995, e o terremoto de Chuetsu em 2004, que matou 46 pessoas e descarrilou um trem-bala.

No terremoto de Fukushima, por exemplo, que foi sentido em quase todo o país, as leituras de “shindo” variaram de 7 (em parte da Prefeitura de Miyagi) a 5 em partes de Tóquio e até um quase imperceptível 1 em Kyushu.

Até 1996, o (“shindo”) era medido principalmente pela equipe da agência espalhada pelo país, que por mais de um século relatava a intensidade do tremor e depois avaliava a extensão dos danos deixados, segundo documentação no site da agência, diz o jornal Japan Times.

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Agora, uma rede de sismógrafos se estende pelo país, medindo as ondas P iniciais quando um terremoto ocorre. Os computadores da agência compilam os dados e quase instantaneamente emitem estimativas do tamanho e da provável localização.

O site do jornal diz que essa rede é crucial para informar o sistema de alerta antecipado do Japão. Quando um terremoto de determinado tamanho é detectado, alertas são emitidos para celulares, telas de TV e indústrias. Os trens param automaticamente, e as pessoas têm tempo para se preparar antes que as ondas “S” mais prejudiciais cheguem.

No nível 7, diz a Agência Meteorológica, é “impossível permanecer de pé.” Pessoas podem ser “lançadas pelo ar”, prédios de madeira podem desabar e até mesmo paredes de concreto armado podem desabar.

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Em 2013, a agência foi forçada a pedir desculpas após alertar erroneamente sobre um iminente terremoto de magnitude 7,8 na região do Kansai que nunca se concretizou.

Veja detalhes da escala “Shindo”

Intensidade SísmicaPercepção e reação humanaSituação em ambientes internosSituação em ambientes externos
0Imperceptível às pessoas, mas registrado por sismógrafos.
1Sentido levemente por algumas pessoas paradas em edificações.
2Sentido por muitas pessoas paradas em edificações. Algumas pessoas podem acordar.Objetos suspensos, como lâmpadas, balançam levemente.
3Sentido pela maioria das pessoas em edificações. Sentido por algumas pessoas andando. Muitas pessoas acordam.Louças em armários podem chacoalhar.Fios elétricos balançam levemente.
4A maioria das pessoas se assusta. Sentido pela maioria das pessoas andando. A maioria das pessoas acorda.Objetos suspensos balançam significativamente; louças chacoalham. Ornamentos instáveis podem cair.Fios elétricos balançam intensamente. Motoristas podem notar o tremor.
5 (Inferior)Muitas pessoas se assustam e sentem necessidade de se segurar em algo estável.Lâmpadas balançam violentamente. Louças e objetos em estantes podem cair. Muitos ornamentos instáveis caem. Móveis sem fixação podem se mexer; móveis instáveis podem tombar.Em alguns casos, janelas podem quebrar e cair. Postes de eletricidade balançam visivelmente. Ruas podem sofrer danos.
5 (Superior)Muitas pessoas têm dificuldade de se mover; andar é difícil sem se segurar em algo estável.Louças e objetos em estantes têm alta probabilidade de cair. Televisores podem cair de seus suportes; móveis sem fixação podem tombar.Janelas podem quebrar e cair; muros de concreto não armado podem desabar; máquinas de vendas mal instaladas podem tombar; automóveis podem parar pela dificuldade de continuar em movimento.
6 (Inferior)É difícil permanecer em pé.Muitos móveis sem fixação se movem e podem tombar. Portas podem emperrar.Revestimentos de paredes e janelas podem sofrer danos e cair.
6 (Superior)É impossível ficar em pé ou se mover sem rastejar. Pessoas podem ser arremessadas.A maioria dos móveis sem fixação se move e tem alta probabilidade de tombar.Revestimentos e janelas têm alta probabilidade de quebrar e cair. A maioria dos muros de concreto não armado desaba.
7A maioria dos móveis sem fixação se move, tomba ou pode até ser arremessada.Revestimentos e janelas têm probabilidade ainda maior de quebrar e cair. Muros de concreto armado podem desabar.