Mais de 50 pessoas receberam medidas “alternativas” de detenção na Venezuela

Não foi especificado quais seriam as medidas alternativas

Reuters

Manifestação em janeiro em frente a um tribunal federal em Nova York em apoio à queda de Maduro. Crédito: Karsten Moran/The New York Times
Manifestação em janeiro em frente a um tribunal federal em Nova York em apoio à queda de Maduro. Crédito: Karsten Moran/The New York Times

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(Reuters) – O governo venezuelano disse ⁠na segunda-feira que 51 pessoas receberam ⁠medidas de detenção ‘alternativas’ à prisão, depois de ter solicitado ‌a mudança como parte dos esforços para promover a paz no país, onde a oposição e grupos de direitos humanos ‌têm dito há anos que o governo usa as detenções para reprimir a dissidência.

O governo não citou o nome das pessoas nem disse a que casos elas estavam ligadas, mas advogados e parentes de dezenas de pessoas detidas em casos de ⁠suposta ‌corrupção na empresa petrolífera estatal PDVSA, muitas das quais as ⁠famílias dizem ser inocentes, disseram na quinta-feira que alguns de seus clientes haviam sido libertados. O grupo que representa os detidos adiou uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira, dizendo que muitos ainda têm processos legais pendentes.

O governo afirmou ​em nota que havia solicitado ‘a concessão de medidas alternativas à privação de liberdade para um grupo de indivíduos que ​estavam sendo mantidos em detenção, por seu suposto ou comprovado envolvimento na prática de crimes previstos na estrutura legal venezuelana’ e que a petição havia sido bem-sucedida e concedida na semana passada.

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Não foi especificado quais seriam as medidas alternativas, ‌mas elas podem incluir monitoramento eletrônico, exigências ​de comparecimento aos tribunais ou proibição de deixar o país.

Embora o governo sempre tenha negado a existência de presos políticos e afirme que os detidos ⁠cometeram crimes, a ​presidente interina Delcy ​Rodríguez supervisionou centenas de libertações desde janeiro, inclusive sob os auspícios de uma ⁠lei de anistia limitada aprovada pelo ​legislativo. O esforço faz parte de um pacote de acordos fundamentais para normalizar as relações com os EUA após a captura do ​presidente Nicolás Maduro em janeiro.

O grupo de direitos legais Foro Penal disse este mês que 485 prisioneiros políticos ​continuam presos, enquanto ⁠o governo disse que milhares foram libertados ou tiveram outras restrições legais retiradas desde ⁠que a anistia entrou em vigor.

O Foro Penal, juntamente com membros de outros grupos de direitos e da oposição do país, criticou a aplicação da anistia, dizendo que o processo está se movendo lentamente e que muitas pessoas elegíveis foram rejeitadas.

(Reportagem da ​Reuters)