Maior transportadora de contêineres do mundo planeja rota que evita Estreito de Ormuz

Os navios cruzarão o Canal de Suez em direção ao Mar Vermelho e visitarão dois portos na costa oeste da Arábia Saudita: Jeddah e Rei Abdullah

Bloomberg

O navio porta-contêineres MSC Luciana, à esquerda, se aproximando do Porto de Felixstowe, pertencente a uma unidade da CK Hutchison Holdings Ltd., em Felixstowe, Reino Unido, na segunda-feira, 4 de março de 2024. Fotógrafo: Chris Ratcliffe/Bloomberg
O navio porta-contêineres MSC Luciana, à esquerda, se aproximando do Porto de Felixstowe, pertencente a uma unidade da CK Hutchison Holdings Ltd., em Felixstowe, Reino Unido, na segunda-feira, 4 de março de 2024. Fotógrafo: Chris Ratcliffe/Bloomberg

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A maior transportadora de contêineres do mundo planeja um novo serviço ligando a Europa a portos isolados do Oriente Médio, utilizando transporte rodoviário pela Arábia Saudita e embarcações menores no Golfo Pérsico, em vez de transitar pelo Estreito de Ormuz, que está bloqueado.

A MSC Mediterranean Shipping Co. SA, em um comunicado divulgado no sábado, informou que a primeira viagem será em 10 de maio, partindo de Antuérpia, em um circuito que também inclui paradas na Alemanha, Itália, Lituânia e Espanha. Os navios cruzarão o Canal de Suez em direção ao Mar Vermelho e visitarão dois portos na costa oeste da Arábia Saudita: Jeddah e Rei Abdullah.

De lá, a rede usa caminhões para chegar a Dammam, na costa leste da península, onde navios alimentadores se conectam a portos marítimos, incluindo Abu Dhabi e Jebel Ali, em Dubai. Ambos possuem grandes zonas industriais com centenas de empresas multinacionais que dependem de cargas conteinerizadas, que antes circulavam livremente pelo Estreito de Ormuz.

O tráfego pelo estreito está severamente restrito desde que os EUA e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, com poucos sinais de que será reaberto em breve. Esse fechamento prolongado está forçando as companhias de navegação a traçar rotas alternativas terrestres que levam mais tempo, custam mais e emitem mais carbono.

Portos próximos ao estreito, em Omã e na costa leste dos Emirados Árabes Unidos, também estão registrando um aumento no número de contêineres desviados, o que exige maior capacidade de transporte rodoviário.

A Hapag-Lloyd AG, com sede em Hamburgo, anunciou em março a criação de rotas de transporte terrestre na Arábia Saudita e em Omã. A A.P. Moller-Maersk A/S, com sede em Copenhague, também anunciou soluções multimodais de “ponte terrestre” para cargas em toda a região.

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Em comunicado, a MSC, com sede em Genebra, afirmou que a oferta é uma resposta à crescente demanda em meio ao “cenário desafiador no Oriente Médio”. O trajeto de Jeddah a Dammam — uma rota que passa pela capital Riad — tem cerca de 1.300 quilômetros (800 milhas).

Os navios alimentadores da MSC também chegariam ao Bahrein, Iraque e Kuwait.

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