Maduro pede diálogo a Trump para evitar conflito entre Venezuela e EUA

As declarações vieram três dias após a administração Trump afirmar que forças americanas realizaram um ataque no Caribe, afundando um barco da gangue venezuelana Tren de Aragua

Estadão Conteúdo

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, segura seus óculos durante uma coletiva de imprensa, em meio ao aumento das tensões com os Estados Unidos devido ao envio de navios de guerra americanos no sul do Caribe e águas próximas, que, segundo autoridades dos EUA, tem como objetivo enfrentar ameaças dos cartéis de drogas latino-americanos, em Caracas, Venezuela, 1º de setembro de 2025. REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, segura seus óculos durante uma coletiva de imprensa, em meio ao aumento das tensões com os Estados Unidos devido ao envio de navios de guerra americanos no sul do Caribe e águas próximas, que, segundo autoridades dos EUA, tem como objetivo enfrentar ameaças dos cartéis de drogas latino-americanos, em Caracas, Venezuela, 1º de setembro de 2025. REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

Publicidade

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, prometeu defender a soberania do país enquanto aumentam as tensões em virtude da presença de navios de guerra dos Estados Unidos no Caribe. Ele pediu ao presidente dos EUA, Donald Trump, que se engaje em diálogo para evitar um conflito.

As declarações, feitas ontem à noite (5), ocorreram três dias após a administração Trump afirmar que forças americanas realizaram um ataque no Caribe, afundando um barco que teria pertencido à gangue venezuelana Tren de Aragua, acusada de traficar drogas para os EUA. O ataque matou 11 pessoas, mas a versão americana foi questionada por Caracas.

“Venezuela está sempre pronta para o diálogo, mas exigimos respeito”, disse Maduro em discurso em uma base militar em Caracas. “Nenhuma de nossas diferenças justifica um conflito militar de alto impacto na América do Sul”. O ataque gerou reação em toda a América Latina, região que sofre efeitos de incursões americanas anteriores.

Leia mais: Tirar Maduro do poder está no cardápio de Donald Trump, diz Axios

Vestido com uniforme militar, Maduro supervisionou uma cerimônia em que ordenou a mobilização de milícias civis e afirmou que haveria uma “luta armada” em caso de ataque.

Washington enviou mais de 4 mil tropas e recursos navais à região, afirmando que a ação tem como alvo cartéis de drogas latino-americanos. Autoridades americanas não indicaram uma incursão terrestre na Venezuela, mas Maduro denunciou o reforço militar como uma ameaça de invasão.

Continua depois da publicidade

Ele acusou os EUA de fabricar alegações de tráfico de drogas para justificar uma mudança de regime, citando a decisão de Washington, no mês passado, de dobrar a recompensa por sua captura para US$ 50 milhões.

Leia mais: Trump avalia ataques contra cartéis na Venezuela, diz CNN

A ameaça vaga de intervenção americana tem sido utilizada por Maduro para reunir apoio interno, em meio à diminuição de seu respaldo político no país.