Maduro diz que EUA “acham que são donos do mundo” após ameaças de Trump

A fala coincidiu com a movimentação de três destróieres da Marinha norte-americana para o sul do Caribe, equipados com sistemas de mísseis guiados Aegis

Paulo Barros

(Foto: Presidência da Venezuela)
(Foto: Presidência da Venezuela)

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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou os Estados Unidos de promoverem “agressões imperialistas” e de acreditarem que “são donos do mundo”, em discurso na quarta-feira (20), um dia depois de o governo de Donald Trump afirmar que usará “toda a força” contra o regime em Caracas.

A declaração ocorreu durante a cúpula da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA), bloco que reúne Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua, Dominica, Antígua e Barbuda e São Vicente e Granadinas.

“Somos uma aliança de guerreiros pela paz. Se algo caracteriza essa época que estamos vivendo é o caráter cruel e a normalização da ameaça do uso de força. Estamos vivendo um cenário de frenesi enlouquecido de ameaças a granel. Acreditam que são donos do mundo. Acreditam que só uma palavra deles basta para que os povos se rendam e entreguem sua terra e pátria”, afirmou Maduro.

O presidente venezuelano exibiu a Constituição do país e disse que a Revolução Bolivariana, iniciada por Hugo Chávez, garante capacidade de luta “para qualquer cenário”. Ele confirmou ainda a mobilização das Forças Armadas “diante das últimas ameaças à paz e soberania”.

Maduro pediu união dos países aliados em defesa da Venezuela.

Pressão dos EUA

Na terça-feira (19), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump está “preparado para usar toda a força americana” para deter Maduro, a quem classificou como “chefe de um cartel narcoterrorista”.

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A fala coincidiu com a movimentação de três destróieres da Marinha norte-americana para o sul do Caribe, equipados com sistemas de mísseis guiados Aegis. Segundo agências internacionais, mais de 4 mil militares devem ser posicionados na região.

Em nota, o governo venezuelano chamou as acusações de Washington de “ameaças” que colocam em risco “a paz e a estabilidade regional”.

Nesta quinta-feira (21), a agência Reuters informou que o governo americano havia enviado um esquadrão anfíbio da marinha, que deverá chegar à costa da Venezuela no domingo (24).

Recompensa

A escalada ocorre após os EUA dobrarem para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão ou condenação de Maduro. O valor supera o oferecido por Osama Bin Laden após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Washington acusa formalmente Maduro de narcoterrorismo desde 2020, no primeiro mandato de Trump. A cifra oferecida como recompensa já havia subido para US$ 25 milhões em janeiro de 2025, sob Joe Biden, e agora foi novamente ampliada.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)