Lula vai faltar ao Fórum de Davos novamente? Programação oficial tem Simone Tebet

Lula não compareceu em nenhuma da edições do Fórum nesse terceiro mandato e deve ser representado pela ministra em 2026; Trump e Milei devem discursar na Suíça

Roberto de Lira

Donald Trump em Davos (Foto: REUTERS/Yves Herman)
Donald Trump em Davos (Foto: REUTERS/Yves Herman)

Publicidade

Desde que tomou posse para seu 3º mandato, em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não compareceu nenhuma vez ao Fórum Econômico de Davos, na Suíça, onde foi figura frequente e, ás vezes, protagonista, em várias ocasiões de suas primeiras gestões. E, ao que tudo indica, ele também vai faltar em 2026.

Entre os nomes de primeiro escalão do governo brasileiro, a programação oficial neste ano só traz a ministra do Planejamento, Simone Tebet.

Lula já havia deixado pistas sobre sua ausência numa entrevista no final do ano passado, quando informou que teria poucas viagens internacionais em 2026, uma vez que dedicaria mais tempo às agendas internas, por conta da eleição presidencial.

Aproveite a alta da Bolsa!

O presidente confirmou que vai à Índia com uma comitiva de empresários em fevereiro, viagem que será completada na Coreia do Sul, quando deve discutir a abertura do mercado local para a carne bovina brasileira. Em abril, deve comparecer também à Feira Industrial de Hannover, na Alemanha.

Com isso, Lula deve optar por mandar um representante para Davos, como já aconteceu em 2023 (Fernando Haddad), 2024 (Marina Silva, Nísia Trindade e Alexandre Silveira), e 2025 (com Silveira novamente, além do então presidente do STF, Luís Roberto Barroso).

A escolhida foi Simone Tebet, que deve participar na quarta-feira (21) do painel “Rompendo o teto de crescimento da América Latina”, ao lado de Julio Velarde, presidente do BC do Peru; Altagracia Gómez Sierra, coordenador do Conselho Consultivo de Negócios, Escritório da Presidência do México; Juan Carlos Mora, diretor-executivo do Bancolombia; Ilan Goldfajn, Presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); e de Gillian R. Tett, reitor do King’s College, da Universidade de Cambridge.

Continua depois da publicidade

Além disso são esperados cerca de 850 dos principais CEOs e presidentes de companhias do mundo, e quase 100 grandes unicórnios e pioneiros da tecnologia.

O tema principal escolhido é “Um Espírito de Diálogo”, uma tentativa de colocar a importância do foco global na cooperação mesmo em meio ao reconhecidamente cenário geopolítico mais complexo das últimas décadas – marcado por fragmentação crescente e rápidas mudanças tecnológicas.

“O diálogo não é um luxo em tempos de incerteza; é uma necessidade urgente”, disse recentemente Børge Brende, presidente e CEO do Fórum Econômico Mundial. “Em um momento crítico para a cooperação internacional – marcado por profunda transformação geoeconômica e tecnológica – a Reunião Anual deste ano será uma das mais marcantes”, previu.

Na tarde da quarta-feira (21), é esperado um discurso do presidente Donald Trump, que prometeu levar a Davos seus principais secretários de Estado. Jornais americanos disseram que o presidente dos Estados Unidos condicionou sua ida à promessa de que temas da chamada “agenda woke” não estivessem na programação oficial.

Continua depois da publicidade

Um pouco mais tarde no mesmo dia, o presidente da Argentina, Javier Milei, também vai discursar. E já prometeu reprisar suas críticas feitas no ano passado às pautas progressistas (“socialistas”, na sua definição) e de outros tema caros à esquerda como a imigração, proteção ao meio-ambiente, feminismo e diversidade.

Milei não está na relação dos chefes-de-estado que vão debater na véspera o tema “Reconstruindo a Confiança na América Latina”. Estão confirmados para o painel: Jose Raul Mulino Quintero, presidente do Panamá; Daniel Noboa Azín, presidente do Equador; e Raquel Peña, vice-presidente da República Dominicana.