Lula exalta acordo UE-Mercosul, mas critica mentiras sobre agricultura brasileira

Paralisia da OMC aponta necessidade de refundar organização, disse presidente brasileiro na Alemanha

Agência O Globo

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversa com a presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, em Bruxelas (Foto: REUTERS/Ives Herman)
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversa com a presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, em Bruxelas (Foto: REUTERS/Ives Herman)

Publicidade

Às vésperas da entrada em vigor do acordo entre União Europeia (UE) e Mercosul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exaltou ontem em Hanôver, na Alemanha, a parceria entre os blocos, mas citou “afirmativas falsas” sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira, criticou barreiras impostas ao biocombustível nacional e pediu que os europeus levem em consideração a matriz energética limpa do Brasil.

Lula discursou na cerimônia de abertura da Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo, na cidade alemã, onde chegou na manhã deste domingo. A feira, que neste ano tem o Brasil como país-destaque, acontece a até a próxima sexta-feira, dia 26.

“O convite do Brasil para a feira de Hannover consolida a posição do Brasil como parceiro confiável em mundo de instabilidade e incerteza”, disse o presidente, em seu discurso, que fez novas críticas à guerra no Irã e à política internacional do governo de Donald Trump.

Lula também fez críticas à “paralisia da OMC [Organização Mundial do Comércio]” e apontou a “necessidade de refundar a organização”.

“A incorporação efetiva dos interesses do Sul Global é condição essencial para que arranjos multilaterais sejam legítimos e relevantes”, disse o presidente brasileiro.

Lula exaltou o acordo Mercosul-UE, que entra em vigor no dia 1º de maio de forma parcial.

Continua depois da publicidade

“Em menos de duas semanas entra em vigor acordo que cria mercado de quase 720 milhões de pessoas e PIB de US$ 22 trilhões. Mais comércio, mais investimentos significam novos empregos e oportunidades. Com maior integração produtiva reforçamos a estabilidade das cadeias de suprimentos. Existem inúmeras complementaridades ainda não exploradas. O Brasil pode ajudar a UE a diminuir o custo de energia e descarbonizar”, disse Lula.

“É essencial que o bloco leve em conta a matriz energética usada em nossos processos. Ainda combatemos afirmativas falsas a respeito da sustentabilidade de nossa agricultura. Criar barreiras de acesso a biocombustíveis é contraproducente do ponto de vista ambiental e energético. Em 1970 vivemos choques do petróleo que evidenciaram os perigos da dependência do petróleo”, afirmou.

Mais cedo, Lula se reuniu de forma privada com Friedrich Merz, chanceler alemão. O líder brasileiro, que está em viagem na Europa, participará também amanhã da Feira de Hannover e, na terça (21), seguirá para Lisboa.