Líderes mundiais pedem calma após ofensiva de EUA e Israel contra o Irã

Europa, Arábia Saudita e Suíça defendem contenção e solução diplomática, enquanto Irã recorre ao Conselho de Segurança da ONU e acusa violação da paz internacional

Gabriel Garcia

Pessoas se reúnem próximo a veículos queimados em Teerã, Irã, neste frame obtido de vídeo em mídia social divulgado em 28 de fevereiro de 2026. Israel e os EUA realizaram ataques contra o Irã no sábado. Mídias sociais/via REUTERS
Pessoas se reúnem próximo a veículos queimados em Teerã, Irã, neste frame obtido de vídeo em mídia social divulgado em 28 de fevereiro de 2026. Israel e os EUA realizaram ataques contra o Irã no sábado. Mídias sociais/via REUTERS

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Líderes europeus e de diversas partes do mundo pediram neste sábado (28) moderação às partes envolvidas após os Estados Unidos e Israel lançarem uma grande ofensiva militar contra o Irã.

O presidente Donald Trump afirmou que o objetivo dos ataques é eliminar o programa nuclear iraniano e promover uma mudança de governo em Teerã, depois de várias rodadas fracassadas de negociações nucleares entre os dois países.

Já o Ministério das Relações Exteriores do Irã solicitou que o Conselho de Segurança da ONU “tome ações imediatas para enfrentar a violação da paz e segurança internacionais”.

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o conflito traz “graves consequências para a paz e a segurança internacionais”. Ele pediu o fim da “escalada em curso” e disse que o Irã não tem alternativa senão negociar o encerramento de seus programas nuclear e de mísseis balísticos.

O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, declarou que seu governo apoia os ataques dos Estados Unidos ao Irã. “Apoiamos a atuação dos Estados Unidos para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear e para impedir que o Irã continue a ameaçar a paz e a segurança internacionais”, disse em comunicado.

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e sua chanceler, Anita Anand, também manifestaram apoio à ação americana: “O Canadá apoia os Estados Unidos em sua atuação para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear e para evitar que seu regime continue a ameaçar a paz e a segurança internacionais”.

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O governo britânico declarou que não participou dos ataques e que “não quer ver uma escalada rumo a um conflito regional mais amplo”. Em comunicado, reforçou ainda que o Irã “jamais deve ser autorizado a desenvolver uma arma nuclear” e que, por isso, o Reino Unido tem apoiado continuamente esforços para uma solução negociada.

Na Alemanha, um porta-voz informou que Berlim foi avisada previamente por Israel sobre os ataques. Segundo a nota oficial, o chanceler Friedrich Merz acompanha de perto os desdobramentos e mantém coordenação estreita com parceiros europeus.

Pela União Europeia, a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, afirmou ter conversado com o chanceler de Israel e com autoridades de países da região e disse estar “coordenando de perto com parceiros árabes para explorar caminhos diplomáticos”.

Em comunicado conjunto, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, ressaltaram ser crucial evitar “quaisquer ações que possam ampliar ainda mais as tensões ou enfraquecer o regime global de não proliferação nuclear”.

No Líbano, principais lideranças pediram que todos os envolvidos priorizem o bem-estar dos cidadãos iranianos.

As declarações foram interpretadas como um recado indireto ao Hezbollah, grupo armado apoiado por Teerã, em meio a dúvidas sobre se a organização — enfraquecida — poderia tentar entrar no conflito em apoio ao Irã.

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A Arábia Saudita, por sua vez, classificou como “violação flagrante” da soberania nacional os relatos de ataques de retaliação iranianos contra países árabes, incluindo Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.

Em comunicado publicado nas redes sociais, o Ministério das Relações Exteriores saudita afirmou que Riad reafirma sua “total solidariedade e apoio a essas nações irmãs”, comprometendo “todos os seus recursos” para auxiliá-las em quaisquer medidas que venham a adotar.

A Suíça declarou estar “profundamente alarmada” com a ofensiva e pediu “pleno respeito ao direito internacional”. O governo suíço exortou todas as partes a exercer “máxima moderação” e a garantir a proteção de civis em meio à escalada militar na região.

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