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A Universidade de Harvard iniciará uma nova investigação sobre suas ligações com Jeffrey Epstein após a divulgação de correspondências entre o falecido criminoso sexual e o ex-presidente da instituição, feitas públicas por deputados dos EUA.
Após a divulgação, o ex-presidente de Harvard, Larry Summers, anunciou que se afastaria de compromissos públicos. Nesta quarta-feira (19), um porta-voz de Summers informou que ele “entrará em licença” do cargo de diretor do Mossavar-Rahmani Center for Business and Government. Assistentes assumirão o restante de suas aulas neste semestre, e Summers não deve lecionar no próximo semestre.

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“A universidade está conduzindo uma revisão das informações referentes a indivíduos de Harvard incluídos nos documentos recém-divulgados de Jeffrey Epstein para avaliar quais ações podem ser necessárias”, disse um porta-voz da instituição em comunicado.
A investigação aumenta a pressão sobre Summers, 70 anos, que está perto do fim de uma das carreiras mais proeminentes da economia americana, marcada por pesquisas premiadas e um período como secretário do Tesouro dos EUA. No início desta semana, Summers afirmou estar “profundamente envergonhado” por suas ações e assumiu a responsabilidade por sua “decisão equivocada de continuar a se comunicar com o Sr. Epstein”.
Por meio de um porta-voz, Summers recusou-se a comentar a nova investigação de Harvard, que foi reportada anteriormente pelo Harvard Crimson. A universidade já havia divulgado uma série de conexões com Epstein em um relatório de 2020.
Esse relatório mostrou que a universidade recebeu mais de US$ 9 milhões em doações de Epstein entre 1998 e 2008 para apoiar pesquisas e atividades do corpo docente. Também revelou que não houve doações após a condenação de Epstein em 2008, quando ele se declarou culpado de duas acusações sexuais em um tribunal estadual. O relatório foi divulgado quando as ligações de Epstein com alguns dos homens mais ricos do mundo e instituições de elite foram reveladas, incluindo doações e visitas frequentes ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
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O afastamento de Summers de compromissos públicos inclui seu papel como colaborador remunerado da Bloomberg Television, confirmou um porta-voz da Bloomberg nesta semana. Ele também está deixando o conselho da OpenAI, informou a empresa de inteligência artificial nesta quarta-feira.
Na semana passada, o Comitê da Câmara dos Representantes para Supervisão e Reforma do Governo divulgou 20 mil documentos do espólio de Epstein. A divulgação pelos democratas da Câmara incluiu conversas entre Epstein e várias figuras de destaque, incluindo o ex-conselheiro de Trump Steve Bannon e Peter Mandelson, que foi demitido este ano do cargo de embaixador do Reino Unido nos EUA.
Os documentos incluíam e-mails nos quais Summers discutia o presidente Donald Trump com Epstein, que morreu na prisão em 2019 após ser preso por acusações de tráfico sexual de menores. Sua morte foi considerada suicídio.
Summers também pediu a Epstein conselhos românticos sobre uma mulher por quem estava interessado. O Crimson identificou a mulher como uma estudante que obteve bacharelado e doutorado em Harvard, e disse que Summers a descreveu como uma pessoa que ele estava orientando. Um porta-voz de Summers disse ao jornal que a mulher nunca foi aluna dele.
Summers tornou-se professor titular em Harvard aos 28 anos e ganhou a Medalha John Bates Clark, concedida a economistas americanos destacados com menos de 40 anos. Ele renunciou à presidência de Harvard em 2006 após conflitos com o corpo docente, incluindo comentários de que diferenças inatas entre os sexos impediam que mulheres prosperassem em carreiras de matemática e ciência.
Posteriormente, tornou-se crítico da resposta da universidade a acusações de antissemitismo no campus e defendeu reformas em Harvard, mesmo discordando da interferência do governo Trump no ensino superior. Summers foi secretário do Tesouro de 1999 a 2001, durante o governo do ex-presidente Bill Clinton.
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Segundo o relatório de Harvard de 2020, Epstein foi nomeado em 2005 como pesquisador visitante, uma designação concedida a um pesquisador independente registrado na Escola de Pós-Graduação em Artes e Ciências da universidade. Ele foi recomendado para o cargo pelo então chefe do departamento de psicologia, Stephen Kosslyn.
Epstein havia doado US$ 200 mil para apoiar o trabalho de Kosslyn entre 1998 e 2002. Epstein foi admitido para retornar como pesquisador visitante no ano acadêmico de 2006-2007, mas retirou-se após sua prisão em 2006, segundo o relatório de Harvard.
Além disso, Epstein financiou o programa de dinâmica evolutiva de Harvard com uma doação de US$ 6,5 milhões em 2003 e manteve relacionamento com seu diretor, Martin Nowak, pelos 15 anos seguintes, segundo o relatório. Epstein visitou os escritórios do programa em Harvard Square mais de 40 vezes entre 2010 e 2018.
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A investigação de Harvard não encontrou evidências de que Epstein tenha interagido com estudantes de graduação durante essas visitas ou durante seu período como pesquisador visitante.
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