Lagarde planeja deixar presidência do BCE antes do fim do mandato de Macron, diz FT

O mandato de Lagarde termina em outubro de 2027, ‌mas alguns temem que a extrema direita possa vencer a corrida presidencial francesa na primavera de 2027

Reuters

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FRANKFURT, 18 Fev (Reuters) – A presidente do Banco Central ⁠Europeu, Christine Lagarde, planeja deixar seu cargo mais ⁠cedo, antes das eleições presidenciais francesas do próximo ano, para dar ao ‌atual líder francês, Emmanuel Macron, influência na escolha de seu sucessor, informou o Financial Times nesta quarta-feira.

O mandato de Lagarde termina em outubro de 2027, ‌mas alguns temem que a extrema direita possa vencer a corrida presidencial francesa na primavera de 2027, complicando a escolha do novo líder da instituição financeira mais importante da Europa.

Citando uma pessoa familiarizada com o assunto, o FT disse que Lagarde ainda não decidiu a data exata de sua saída, mas gostaria que ⁠Macron ‌e o chanceler alemão Friedrich Merz sejam os principais responsáveis pela escolha ⁠de seu sucessor. Macron não pode concorrer novamente para um terceiro mandato.

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NENHUMA DECISÃO TOMADA

“A presidente Lagarde está totalmente focada em sua missão e não tomou nenhuma decisão sobre o fim de seu mandato”, disse um porta-voz do BCE.

A resposta do BCE é diferente de uma orientação anterior sobre ​Lagarde. No ano passado, quando o FT sugeriu que Lagarde poderia sair mais cedo, o BCE afirmou que ela estava “determinada a completar seu mandato”.

A ​reação inicial do mercado à possível saída de Lagarde foi moderada. Os rendimentos dos títulos e o euro praticamente não se alteraram no início das negociações, indicando que os investidores não esperam que uma mudança de pessoal anuncie qualquer mudança significativa na política.

A reportagem do FT surge apenas uma semana ‌depois de o presidente do Banco da França, François ​Villeroy de Galhau, ter anunciado que renunciará em junho deste ano, mais de um ano antes do fim do seu mandato, permitindo a Macron indicar o seu substituto antes das eleições presidenciais.

Embora ⁠caiba a todos os ​líderes da zona do ​euro, composta por 21 países, escolher o sucessor de Lagarde, a prática anterior sugere que qualquer candidato ⁠bem-sucedido deve ter o apoio da Alemanha ​e da França para garantir o cargo.

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Ainda não há candidatos formais para o cargo, mas vários nomes têm sido cogitados nos círculos do BCE como potenciais presidentes.

Os mais ​proeminentes entre eles são o ex-chefe do banco central holandês Klaas Knot, o gerente geral do Banco de Compensações Internacionais, Pablo Hernandez ​de Cos, e o ⁠presidente do banco central alemão, Joachim Nagel.

A membro do conselho do BCE, Isabel Schnabel, também manifestou interesse ⁠no cargo, mas as leis da UE podem impedi-la de concorrer, uma vez que os membros do conselho têm mandatos não renováveis.

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No entanto, o nome de Lagarde só surgiu pouco antes de sua própria nomeação, há sete anos, o que sugere que esta corrida é imprevisível.